Política
Lula abriu as portas para Maduro, mas foi enganado por ele
Na estante do ex-presidente da Colômbia Iván Duque, estão fotos da mulher e de seus dois filhos, imagens de Maquiavel, Dante Alighieri, Thomas Jefferson e Winston Churchill -referências do direitista substituído há pouco mais de dois anos pelo ex-guerrilheiro do M-19 e ex-senador Gustavo Petro.
Diferenças políticas à parte, ambos se encontram no mesmo beco sem saída na tentativa de encontrar soluções para a instabilidade política e econômica da Venezuela.
Em entrevista nesta sexta-feira (23), Duque, 48, falou sobre a campanha que vem realizando, junto a ex-presidentes da região, em favor da redemocratização do país de Nicolás Maduro.
“A ideia de esticar a entrega das atas, que nunca esteve no calendário do regime, foi uma estratégia para ganhar tempo, das que a ditadura sempre usa. Passamos a outra etapa, para os que, como eu, já vivemos tudo. Já não há mais aproximação diplomática possível. Minha maior preocupação é que continuemos em uma discussão que não existe mais: sanções, sanções, sanções”.
“Graças a valentes testemunhos eleitorais, já se conhecem mais de mais de 85% das atas com umas diferenças claras de mais de 30 pontos [ele se refere às exibidas pela oposição]”.
“O primeiro é que o Tribunal Penal Internacional solicite um pedido de prisão de Maduro por crimes de lesa humanidade. Evidências, tudo isso temos como documentar. A segunda, que a Justiça de Estados Unidos aumente a recompensa contra Maduro e seu círculo mais próximo por delitos de narcotráfico”.
“A terceira é uma pressão geral de sanções não só contra os sequazes de Maduro mas contra todo aquele que tenha alguma relação seja comercial seja criminosa com ele. Assim como se fez com a Rússia, com os oligarcas russos na Inglaterra, que lavam as fortunas deles e são punidos, isso tem de ocorrer com todos os quadros diretivos do governo de Maduro”.
“Outra coisa que é necessária é que se reconheça a partir de janeiro que Edmundo González Urrútia é o novo presidente da Venezuela, muitas coisas podem se destravar a partir daí. Se a pressão for forte, Maduro não terá outra opção que a de sair do poder “por las malas” [de modo forçado] e isso será visto por todo mundo”, disse.
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