Política
GCCO: advogadas do CV acompanham depoimentos para “vigiar” comerciantes
Membros do Comando Vermelho usaram duas advogadas para acompanhar depoimentos e vigiar os comerciantes que estavam testemunhando contra um grupo que ameaçava e extorquia lojistas de Várzea Grande, segundo o delegado Antenor Pimentel Marcondes.
As duas foram alvos de mandados de busca e apreensão da Operação A Cesar o que é de Cesar, deflagrada nesta segunda-feira (10) pela Gerência e a Delegacia de Combate ao Crime Organizado (GCCO/Draco). Na ação foram presos O.R., conhecido pelo apelido de Shelby – apontado como líder do esquema criminoso -, e C.R.L.S., conhecido como “Maxixi”, que ameaçaria os comerciantes.
João Aguiar/Rdnews

Delegados Antenor Pimentel Marcondes, Gustavo Belão e Rodrigo Azem
O delegado Antenor Pimentel Marcondes explicou que os depoimentos das vítimas foram feitos de forma anônima, para que não se crie “um alvo em suas costas”. “A gente sabe como que trabalha a facção. Nesse caso, foi feito o depoimento sem rosto. Pedi audiência por áudio com distorção da voz”, afirma.
No entanto, no dia das oitivas, a facção teria informado aos comerciantes que enviaria duas advogadas para acompanhar os testemunhos. “E qual que é a função desse advogado que o Comando manda? É coagir, mesmo que o advogado não precise falar nada. Só de a vítima saber que tem um advogado enviado e pago pelo Comando, vai obstruir a investigação, vai obstruir o livro de testemunho”, destaca.
PJC

“A minha vontade era fazer o flagrante da advogada. Porque eles não pediram advogado. Só que aí eu ia expor a vítima. Então eu optei por não fazer o flagrante da advogada, por não prender em flagrante por obstruir a investigação”, acrescenta.
O delegado disse ainda à imprensa que chegou a enviar à Justiça o pedido de prisão preventiva das defensoras, mas que o requerimento não foi acatado pelo juízo do Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo) de Cuiabá.
“Eu pedi a prisão preventiva. O juiz entendeu que, naquele momento, as advogadas não estavam representando perigo e não concebeu a prisão preventiva. Mas concebeu a busca e apreensão e foi apreendido o celular de uma das advogadas. O aparelho vai ser analisado e vamos robustecer mais o que já tem”, completa.
Ameaças são gradativas
De acordo com o delegado Antenor Pimentel Marcondes, que liderou as investigações, Shelby e Maxixi abordavam os comerciantes dizendo que estavam com um “projeto novo”, não faziam ameaças e tentavam convencer os comerciantes a entrarem no esquema.
“A ameaça é gradativa. Eles chamam dizendo: ‘Nós vamos regular o mercado. Aquele comerciante que estiver vendendo muito abaixo, a gente vai procurar saber o porquê desse comerciante estar vendendo abaixo’. Então, eles entram como um terceiro Estado regulador e depois vem ‘cobrar um imposto’. Eles querem substituir o Estado, oferecendo as supostas vantagens”, explica o delegado.
Alguns comerciantes abriam as portas para o grupo e passavam a pagar as taxas abusivas. “Eles usam esses vários artifícios do convencimento e, no último caso, a coação direta, que é aquela mesma de que vai matar, vou atacar o comércio, pegar a família da vítima, mas é gradativo”, diz.
“Nesse caso não teve represália nenhuma. Conseguimos agir a tempo. Eles não imaginavam que a gente tinha uma investigação em andamento. Justamente todos os órgãos de inteligência vinham monitorando esses criminosos”, completa.
Fonte: JORNALISMO ULTIMA HORA MT
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