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A importância da formação política e os reflexos da polarização ideológica

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ANGELO VARELA / ALMT

Tenho uma trajetória de 40 anos na política, onde vivi várias situações e ganhei experiências. E, como diz o ditado, a política é igual nuvem: muda de posição o tempo todo. Nessa minha caminhada, sempre mostrei de forma transparente que a minha prioridade é o povo. Se não fosse o povo, eu não estaria neste meio até os dias atuais. Hoje, são poucos os políticos que tiveram a oportunidade de fazer parte de uma formação política, de um movimento sindical ou estudantil. Eu, por exemplo, comecei na política dentro do movimento estudantil entre os anos de 1979 e 1981, na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

 Com essa minha introdução, resgato as minhas origens políticas e reflito sobre a importância da formação política como base para o fortalecimento da democracia e o equilíbrio entre esquerda e direita. Para mim, a ausência dessa formação tem produzido gerações de parlamentares e lideranças despreparadas para o exercício da função pública. Sem contar que os partidos deixaram de fazer formação política. São muito raros os que ainda prestam esse serviço à sociedade.

 Dificilmente um jovem que queira entrar na política vai encontrar uma agremiação que ofereça capacitação, qualificação e conhecimento político. O movimento sindical enfraqueceu muito, principalmente após o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical. Já, o movimento estudantil também se fragilizou. Houve um enfraquecimento generalizado das áreas de formação política.

 A inexistência de formação política leva à chegada ao Parlamento de gente muito despreparada para o exercício da função. Muitos não conhecem o Regimento Interno, não sabem o que é uma Lei Orgânica, não leem a Constituição Estadual e, muito menos, a Federal. Quando não há formação política, o resultado é um ambiente degradado, onde vemos desrespeito, ataques e palavras de baixo calão, o que gera verdadeiras sessões de horror.

 Esse cenário praticamente se associa ao processo de polarização ideológica que marca o Brasil e o mundo contemporâneo. A discussão entre esquerda e direita perdeu profundidade e se tornou meramente emocional e superficial. Se você fizer duas perguntas sobre o que é ser de esquerda ou de direita, poucos conseguem responder. Essa polarização é consequência da ausência de formação política. Hoje, há políticos que só se identificam com causas momentâneas, se destacando mais pelo uso das redes sociais do que por uma atuação consistente.

 o analisar o contexto histórico, destaco que o enfraquecimento da esquerda também contribuiu para a ascensão de novos movimentos de direita. Isso porque, a esquerda não entregou todos os resultados que a sociedade esperava. Seus discursos eram veementes, emocionavam, mas parte das promessas não foram cumpridas. Isso abriu espaço para o retorno da direita com força total. Eu fui colega do ex-deputado federal e ex-presidente da República, Jair Bolsonaro, por seis anos na Câmara Federal e, sinceramente, foi uma enorme surpresa vê-lo chegar à presidência. Essa ocupação do espaço político se deu por pessoas alheias à formação ideológica e ao preparo técnico, resultado direto da insatisfação com os governos anteriores.

 Pondero que nenhum grupo político, de esquerda ou direita, resolverá sozinho os desafios do país, dada a complexidade e as raízes históricas e estruturais dos problemas brasileiros. São questões culturais, estruturais, que não se resolvem em uma ou duas décadas. Esse conjunto de fatores trouxe o ambiente radicalizado e emocionalizado que vivemos hoje.

 Apesar da minha postura crítica à esquerda, reforço que não me enquadro rigidamente em rótulos ideológicos. Nunca fui do PT. Aliás, se teve alguém que mais enfrentou o PT em Cuiabá, fui eu. Mas eu tenho um olhar equilibrado sobre os temas. Quando se fala em mercado livre – sou direita, reforma agrária – sou esquerda, ocupação de terras por falta de políticas habitacionais – sou esquerda ou políticas sociais – como o aborto – sou contra e sou direita, cada assunto precisa ser analisado com racionalidade. Na verdade, me considero um social-democrata. A ideologia associada à democracia foi o que transformou o Ocidente Europeu na melhor região do mundo em qualidade de vida. A democracia é o que dá equilíbrio entre os extremos.

 Para concluir, reafirmo que a democracia é o valor central que deve orientar qualquer projeto político, independentemente de posições ideológicas. Sou um democrata, acredito que a formação política, o diálogo e o respeito às diferenças são os caminhos para que o Brasil avance, superando radicalismos e reconstruindo a confiança entre a classe política e o povo.

*Wilson Santos (PSD) é deputado estadual em Mato Grosso.



Fonte: ALMT

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