Polícia
Facção usava lojas e empresas de fachada para lavar R$ 20 milhões em Alta Floresta
Na manhã desta quinta-feira (05), a Polícia Civil realizou entrevista coletiva a imprensa detalhando a investigação que teve como alvo o núcleo financeiro de uma organização criminosa suspeita de atuar com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Alta Floresta, no norte de Mato Grosso. A entrevista foi cedida pelo delegado regional Waner Neves e também pelos delegados João Lucas Guimarães de Alta Floresta e João Vitor, da capital, Cuiabá.
Realizada pela Polícia Judiciária Civil através da Draco de Cuiabá e da Polícia de Alta Floresta e batizada de Operação Showdown, a ação foi realizada de forma conjunta pela Delegacia Municipal de Alta Floresta e pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá.
O principal objetivo da operação foi asfixiar financeiramente o grupo criminoso, que segundo as investigações movimentou cerca de R$ 20 milhões em apenas um ano e meio na cidade, valor considerado incompatível com as atividades comerciais declaradas pelos investigados.
De acordo com a Polícia Civil, o foco da operação foi o núcleo familiar ligado à líder da organização criminosa, que utilizava parentes próximos para movimentar e ocultar o dinheiro obtido com atividades ilícitas.
Foram presos a filha da líder do grupo, o genro e o pai dela, apontados como responsáveis por administrar empresas utilizadas para lavagem de dinheiro. As investigações indicam que eles utilizavam empresas de fachada, imóveis e veículos de alto padrão para justificar o patrimônio acumulado.
Somente a filha da suspeita teria movimentado cerca de R$ 13 milhões no período investigado, o que representaria uma média mensal de aproximadamente R$ 650 mil, valor considerado incompatível com as atividades comerciais registradas.
Segundo a Polícia Civil, os investigados alegavam que parte dos ganhos viria de plataformas de apostas online, conhecidas popularmente como “tigrinho”, versão que foi descartada após análise financeira.
Além disso, a jovem investigada possui mais de 40 mil seguidores nas redes sociais, onde frequentemente ostentava viagens, carros e uma rotina de luxo, supostamente custeada com recursos provenientes do crime.
Durante a operação foram cumpridos três mandados de prisão e cerca de seis mandados de busca e apreensão, além de determinações judiciais de bloqueio de imóveis e bens ligados ao grupo.
Entre os veículos apreendidos ou bloqueados estão:
- uma caminhonete Dodge Ram
- uma Toyota Hilux
- um Honda Civic
- duas motocicletas
- outra caminhonete Hilux que ainda está sendo procurada
Também foram realizadas buscas em três lojas conhecidas da cidade, sendo duas lojas de calçados e um salão de beleza, suspeitas de serem utilizadas para dar aparência de legalidade ao dinheiro da organização.
Além dos estabelecimentos, a Justiça determinou o bloqueio de diversos imóveis, kitnets e outras fontes de renda do grupo.
A operação também se estendeu até uma área de garimpo ilegal no município de Nova Bandeirantes.
No local, considerado de difícil acesso e ambiente hostil, equipes policiais realizaram a prisão de um suspeito ligado à organização. Outro indivíduo também foi preso em flagrante com uma pistola calibre .380 e diversas munições.
Segundo os investigadores, o garimpo também era utilizado como forma alternativa de lavagem de dinheiro, com a tentativa de justificar valores obtidos com o tráfico por meio da comercialização de ouro.
A Polícia Civil destacou que o foco das investigações vai além da prisão dos envolvidos, buscando atingir diretamente o patrimônio acumulado de forma ilícita.
Segundo os delegados envolvidos no caso, bloquear e leiloar os bens do crime organizado é uma estratégia para enfraquecer as organizações criminosas, evitando que continuem operando mesmo após a prisão de seus integrantes.
“O objetivo é asfixiar financeiramente essas organizações. Não basta apenas prender, é preciso retirar deles o patrimônio obtido de forma ilícita”, destacou a Polícia Civil.
A principal investigada, Angélica Saraiva de Sá, a “Angeliquinha”, apontada como líder da organização criminosa, segue foragida, e as investigações continuam para localizar seu paradeiro.
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