Política
Pai do vereador Miguel Júnior defende o filho após prisão em Cuiabá: “Se tivesse feito algo errado, ele assumiria”
Em meio à repercussão da prisão do vereador de Várzea Grande, Miguel Angel Claros Paz Júnior, no último dia 27 de abril, seu pai se pronunciou em defesa do filho. Em um longo depoimento, ele afirmou confiar plenamente no caráter de Miguel Júnior e questionou a abordagem dos policiais militares.
“Bom, em primeiro lugar eu gostaria de falar que eu sei muito bem o filho que eu formei, que eu eduquei. Tenha certeza que o cidadão Miguel Júnior é uma pessoa idônea e de respeito.”
Relatando sua chegada ao CISC Verdão, onde o filho estava detido, o pai descreveu a conversa com os policiais e com Miguel Júnior:
“Inicialmente me dirigi para os policiais, me apresentei e perguntei para eles o que tinha acontecido. Eles me relataram e, posteriormente, eu perguntei para meu filho se ele tinha feito esse gesto desrespeitoso. A resposta dele foi não.”
Segundo ele, caso o filho tivesse cometido o ato, teria assumido a responsabilidade:
“Se tivesse feito, tenha certeza que ele iria assumir e responder pelos seus atos.”
Sobre o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), ele explicou:
“O TCO é um documento onde estão registrados o histórico, o fato, as declarações relacionadas a uma possível ofensa de menor potencial. E até onde eu sei, esse TCO já foi encaminhado para o Juizado Especial Criminal.”
O pai também destacou que o próprio delegado afastou a acusação de desacato:
“O delegado relatou que, a meu sentir, não está comprovado que o suposto gesto fosse direcionado aos policiais, fato afirmado por testemunha, o que afastaria o dolo do desacato.”
Ele questionou a continuidade do processo mesmo após o afastamento da acusação de desacato:
“Se não tem o dolo do desacato, por que vai ter desobediência e resistência?”
Defendendo a atitude do filho no momento da abordagem, afirmou:
“O meu filho em momento nenhum apresentou resistência. Simplesmente ele não quis colocar as mãos com os dedos entrelaçados na região occipital da cabeça, porque ele não é criminoso.”
“Em toda abordagem há sim necessidade de levantar os braços, e ele fez isso. Agora, não existe escrito em lugar nenhum que tem que colocar as mãos atrás da cabeça.”
Criticando o uso da força policial, completou:
“O fato de não colocar as mãos com os dedos entrelaçados atrás da cabeça não dá direito ao policial de jogar spray nos olhos, de chutar e derrubar no chão.”
Ele também ironizou o relato dos policiais sobre o suposto gesto obsceno:
“Era madrugada, num carro em movimento, com vidro fechado. Como é que todos os policiais viram ao mesmo tempo?”
Sobre a suposta tentativa de tráfico de influência, respondeu:
“Meu filho jamais usou o termo de querer fazer algo errado porque conhece autoridades. Influência de quê? Ele é proibido de ter amizade com autoridades, policiais ou políticos?”
Por fim, o pai do vereador demonstrou indignação com a condução do caso e anunciou que deve buscar medidas jurídicas:
“Acho que agora deve ir para análise no fórum criminal e ali o juiz ou conciliador vai tirar suas conclusões. Devo entrar em contato com meu departamento jurídico para questionar esses pontos.”
O caso segue tramitando no Juizado Especial Criminal de Cuiabá, onde será analisado judicialmente.
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