Política
Após denúncia de suposta fraude, Fávaro descarta novo leilão
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), anunciou nesta quarta-feira (3) que não deve promover um novo leilão de compra internacional de arroz. O caso ganhou as manchetes nacionais após denúncias de que as empresas vencedoras não eram do ramo e não tinham capacidade para realizar a importação.
À Folha de São Paulo, o ministro mato-grossense disse que suspendeu o leilão por tempo indeterminado e negocia com o agronegócio um acordo para controlar os preços do produto. A ideia é retomar a medida caso o preço aumente.
“Estamos com o edital pronto, mas os preços cederam e acho prudente monitorar [a situação] antes de qualquer ação de compra”, afirmou Fávaro.
O leilão foi uma iniciativa do governo do presidente Lula (PT) após a tragédia socioclimática das chuvas no Sul do país, que concentra a maior parte de produção do arroz no Brasil.
Entretanto, das quatro empresas vencedoras, uma era uma loja de laticínios e outra tinha como sócio um empresário que já havia confessado o pagamento de propina para conseguir licitações públicas.
O leilão foi duramente criticado pela oposição ao governo e pelo agro e, depois, anulado por Lula.
Queda de Neri
O secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, foi demitido, junto com outros membros da pasta e da Conab ligados ao leilão.

Os preços cederam e acho prudente monitorar [a situação] antes de qualquer ação de compra
O nome dele entrou na berlinda após denúncias do envolvimento da empresa de um ex-assessor no certame.
Geller diz que o leilão foi um “erro político”, mas não dele. Em sua visão, as denúncias tomaram uma grande proporção justamente para atingi-lo.
Após sua demissão, afirmou que não teve responsabilidade sobre o leilão, porque não atuou em sua elaboração.
Ao contrário do que alegou Fávaro à época, ele afirmou que não pediu demissão do cargo e que, na verdade, seu ex-superior não lhe atendeu quando tentou corrigir a informação sobre a saída da pasta.
“A forma com que foi conduzido [o leilão para a importação de arroz] foi um equívoco, gerou uma reação muito forte da oposição e do setor produtivo, instabilidade no Congresso. Se eu pedisse demissão, estaria assumindo uma parcela de um erro político que não é meu”, disse à Folha de S.Paulo após deixar o cargo.
Toneladas de arroz
No total, o governo havia comprado 263,3 mil toneladas de arroz importado, por R$ 1,3 bilhão.
A maior arrematante do leilão foi uma empresa de nome Wisley A de Souza, que adquiriu 147,3 mil toneladas de arroz, tem como único sócio uma pessoa com esse nome e capital social de R$ 5 milhões.
Seu nome fantasia é Queijo Minas, e o endereço registrado na Receita Federal fica no centro de Macapá, capital do Amapá. Segundo imagens do Google, no local funciona o estabelecimento com este mesmo nome.
Já o email que consta no sistema federal é de uma distribuidora. Sua principal atividade (declarada pela própria empresa em seus registros públicos) é o comércio atacadista de leite e laticínios. A lista de capacidades secundárias inclui frutas e verduras, carnes, material de escritório, produtos de higiene e limpeza, e mercadorias alimentícias de armazém em geral.
Procurada por email, telefone e WhatsApp, a empresa não respondeu.
A segunda menor arrematante do leilão foi a ASR Locação de Veículos e Máquinas, com sede em Brasília.
Sua principal atividade é o aluguel de máquinas e equipamentos, mas nas secundárias consta uma série de outras, por exemplo, construção de edifícios e rodovias, obras, publicidade, desenvolvimento de programas de computador, serviços de escritório e de limpeza, além de comércio atacadista de diversas categorias, inclusive cereais.
Seu único sócio é Crispiniano Espindola Wanderley. Ele também participa de outras empresas de transporte e de um instituto de perícia forense.
Procurado pela reportagem, ele disse que a ASR tem mais de dez anos de experiência e trabalha com seriedade. Afirmou que venceu um outro leilão da Conab em dezembro de 2023, para distribuição de 211 mil sacas de milho, que foram entregues com sucesso no estado da Bahia.
Entre 2002 e 2009, Wanderley presidiu a Coopertran (Cooperativa de Transportes Públicos do DF).
Ele é citado em uma investigação que mirou o atual deputado federal e então secretário de Transportes do Distrito Federal Alberto Fraga (PL-DF).
Em seu depoimento, Wanderley afirmou que Fraga lhe cobrou propina por intermediários para a assinatura de um contrato de ônibus com a cooperativa e que pagou R$ 350 mil para fechar o acordo.
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