Cidades
Alckmin defende Brasil em investigação dos EUA: “Pix e meio ambiente são referências globais”
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, reagiu nesta quarta-feira (16) à investigação aberta pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil por supostas práticas comerciais desleais. Alckmin afirmou que o país está pronto para apresentar todos os esclarecimentos necessários e destacou que áreas como o Pix e a política ambiental brasileira são reconhecidas internacionalmente como referências globais.
“O Brasil é exemplo hoje para o mundo. Temos a maior floresta tropical do planeta e estamos comprometidos com o desmatamento ilegal zero. No setor de pagamentos, o Pix é uma inovação elogiada internacionalmente”, declarou Alckmin a jornalistas. A investigação foi anunciada na terça-feira (15) pela Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) e será conduzida com base na Seção 301 do Ato de Comércio de 1974. O processo pode resultar em sanções, como novas tarifas ou barreiras comerciais, caso o governo norte-americano conclua que o Brasil adota políticas injustificáveis ou discriminatórias.
O relatório da USTR aponta seis áreas de preocupação em relação ao Brasil:
* *Comércio digital e Pix*: Os EUA alegam que o Brasil favorece serviços nacionais em detrimento de empresas estrangeiras e questionam o suposto uso político de plataformas digitais.
* *Tarifas preferenciais*: O país é acusado de conceder tarifas menores a parceiros específicos, o que colocaria exportadores norte-americanos em desvantagem.
* *Combate à corrupção*: Há críticas à suposta ineficiência na aplicação de leis anticorrupção e de transparência.
* *Propriedade intelectual*: O Brasil é citado por, supostamente, não proteger adequadamente inovações e marcas de empresas americanas.
* *Mercado de etanol*: Os EUA reclamam de tarifas que dificultam a entrada do etanol norte-americano no mercado brasileiro.
* *Desmatamento ilegal*: Segundo o USTR, a falha em coibir a devastação impactaria a competitividade de produtores dos EUA.
Alckmin rebateu as alegações, enfatizando as ações brasileiras nas áreas ambiental e energética. “Reduzimos o desmatamento. Temos compromisso com a recomposição florestal e com o Fundo do Clima. Aumentamos a participação do etanol e da energia renovável na matriz. O mundo reconhece isso”, afirmou.
Sobre o Pix, o vice-presidente descreveu o sistema como “moderno, eficiente e acessível”, negando qualquer intenção de prejudicar empresas estrangeiras. “É um meio de pagamento adotado por milhões de brasileiros e já serve de exemplo para vários países”, reforçou.
O governo dos Estados Unidos agendou uma audiência pública para 3 de setembro, com prazo para envio de comentários por escrito até 18 de agosto. O Planalto confirmou que apresentará uma resposta oficial às autoridades norte-americanas e buscará manter canais diplomáticos abertos.
A abertura desta investigação ocorre poucos dias após o presidente Donald Trump anunciar uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os EUA, a partir de 1º de agosto. O governo brasileiro vê nesta nova ofensiva um agravamento das tensões comerciais entre os dois países.
“Não é a primeira vez que os EUA abrem uma investigação. Já respondemos no passado e o caso foi encerrado. Vamos fazer isso novamente, com tranquilidade e base nos fatos”, concluiu Alckmin.
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