Saúde
Alopecia areata: tratamentos avançam para doença de impacto emocional
A alopecia areata é uma doença autoimune em que o próprio organismo ataca os folículos pilosos na fase anágena, inibindo o crescimento dos fios. Ela provoca inflamações que levam à , deixando uma região pelada e arredondada, que fica com pele lisa e brilhante.
A extensão pode variar desde pequenas áreas até a alopecia total – em casos mais graves, há também perda dos pelos do corpo. Fatores como predisposição genética, influências ambientais e gatilhos como o estresse estão envolvidos no desenvolvimento da condição.
Por ser uma doença crônica, não existe uma cura definitiva, mas os . “Embora já existisse um protocolo estabelecido no consenso de 2020, os avanços nos estudos nos últimos anos tornaram necessária a inclusão dessas novas opções terapêuticas, além de uma nova forma de classificação que considera a extensão e a gravidade da alopecia areata”, relata a dermatologista Barbara Miguel, do Hospital Israelita Albert Einstein. “Essas mudanças foram fundamentais para aprimorar o manejo da doença, que é complexo e depende de fatores como a gravidade da condição e a resposta individual de cada paciente.”
O novo consenso estabelece as melhores opções para casos leves, moderados e graves. Para esses últimos, há uma opção terapêutica recente: os inibidores da enzima Janus quinase (JAK), como baricitinibe e ritlecitinibe. Aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e já disponíveis no Brasil, eles atuam barrando a ação da enzima envolvida no processo inflamatório que desencadeia esse tipo de alopecia.
Impacto emocional
O novo documento também destaca o aspecto emocional da alopecia areata. Isso porque a perda de cabelo afeta diretamente a autoestima e a qualidade de vida, com efeitos em relacionamentos, trabalho e estudo. A condição pode causar ansiedade, depressão e um sentimento de isolamento, especialmente em casos mais graves.
Segundo a SBD, até 78% dos pacientes relatam diagnósticos de saúde mental. “Uma boa consulta deve oferecer acolhimento psicológico e discussão de aspectos emocionais do paciente e dos cuidadores nos casos pediátricos. O impacto psicológico e social dos cabelos vai além de seu significado biológico”, diz o documento.
A dermatologista Barbara Miguel concorda. “O apoio psicológico, com o tratamento dermatológico, é essencial para ajudar os pacientes a lidarem com os efeitos emocionais da doença e a manterem uma atitude positiva diante do tratamento.”
Cuidados importantes
O tratamento desse pode apresentar efeitos colaterais, mas são geralmente leves e transitórios. Por isso, antes de iniciar é preciso tomar alguns cuidados, como fazer exames (hemograma, função renal, entre outros), avaliar riscos como trombose e eventos cardiovasculares e manter o acompanhamento médico.
“Os I-JAK não são indicados para gestantes e lactantes, devido à falta de dados de segurança nessa população. Além disso, ainda há poucas informações sobre os efeitos a longo prazo, o que exige monitoramento constante”, diz a médica. Ainda assim, a resposta ao tratamento é variável, dependendo da gravidade da doença e das características individuais.
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