Polícia
Ao deixar comando, Mendes cita estudos e cobra que Mauro dê melhorias salariais
João Aguiar/Rdnews

Comandante Alexandre Mendes frisou que apresentou estudos ao governador Mauro Mendes e cobrou isonomia nas Forças de Segurança
O coronel Alexandre Mendes, ao deixar o comando geral da Polícia Militar, aproveitou para garantir que sempre foi leal ao governador Mauro Mendes (UB) e para cobrar, publicamente e de forma enérgica, a isonomia no pagamento de benefícios aos servidores da Segurança Pública. “Digo sem meias palavras que lutei com todas as minhas forças por realinhamento e melhorias salariais. Estudos e propostas não faltaram da minha parte, inclusive, demonstramos que a PM de Mato Grosso, através de três unidades – Batalhões de trânsito, fazendário e ambiental -, são responsáveis pela aplicação de multas com, consequente, arrecadação de algumas centenas de milhões para os cofres públicos nos quase três anos de minha gestão”, disparou o coronel, durante discurso que durou cerca de 10 minutos e que causou visível “climão” e tensão durante a solenidade de transmissão do cargo de Mendes para o coronel Fernando, novo comandante-geral da PM.
Mendes, que deixa o comando-geral após divergências e embates com o chefe do Paiaguás, frisou em sua fala que houve avanços na estrutura da PM com armamento e viaturas; e também reconheceu a implementação dos auxílios uniforme e alimentação, além de gratificação, mas tratou de ressaltar que isso as outras categorias das Forças de Segurança também têm direito.
“Como disse ao senhor (Mauro), que não gosta de comparativo, o mesmo piloto de uma aeronave, um PM e um civil, um recebe gratificação noturna e ou outro, mesmo piloto, não recebe mesmo fazendo a mesma função. Nós precisamos fazer todos os estudos para que o PM possa receber as mesmas gratificações que as mesmas categorias recebem. Não estou pedindo nada mais do que outras categorias já venceram”, disparou o coronel Mendes.
Questionado sobre as cobranças do ex-comandante-geral da PM, Mauro disse que talvez Mendes não tenha utilizado a estratégia correta para garantir as melhorias e afirmou que já ficou provado que pressões públicas não têm sucesso em sua gestão.
Aceno ao novo comandante
Alexandre Mendes desejou sucesso ao colega coronel Fernando. “Disse ao senhor que, muitas vezes, suas decisões serão solitárias, nunca se afaste do senhor Deus, seja um exemplo para essa tropa. Tenho certeza que conduzirá muito bem a nossa instituição”.
Sobre a sua aposentadoria compulsória, após 30 anos de trabalhos à frente da instituição, Mendes afirmou que assinará a sua reserva remunerada de cabeça erguida na prpoxima segunda (2). “Considerando o saldo de uma carreira abençoada, como a que encerro hoje, não deve haver qualquer espaço para ressentimento ou mágoa. Devo dizer que em meu coração, nesta manhã banhada pelo sol, apenas transporta gratidão e serenidade”, amenizou. Nos bastidores, o anúncio da aposentadoria compulsória e não a pedido gerou mal-estar.
“Recebo assim essa fase da minha vida sabendo que a PM avançará muito mais, novas conquistas virão. Ofereci tudo o que eu tinha nestes quase 3 anos”, afirma, numa referência ao período em que comandou a PM.
João Aguiar/Rdnews

Coronel Alexandre Mendes, Roveri, governador Mauro Mendes, primeira-dama Virginia, presidente do TJ Clarice Claudino e novo comandante Fernando
Balanço
Alexandre Mendes também aproveitou o discurso para defender a sua gestão à frente da PM. Ele ressaltou que rodou milhares de quilômetros para conhecer a real situação da tropa. Além disso, frisou que a PM segue lutando contra o crime organizado. Ele mencionou que em 2023 policiais militares apreenderam mais de 15 toneladas de drogas e que neste ano já são quase 18 toneladas.
“Mesmo com todas as dificuldades em questão de recursos humanos, a PM de MT se desdobrou para combater para as facções e dar um prejuízo enorme ao crime organizado. Dezenas, centenas de confrontos que o meu policial militar colocou sua própria vida em risco para defender a sociedade, colocando em perigo a sua vida para enfrentar o poderio bélico das facções que é algo impensável para outras instituições. Qual instituição que coloca a vida do seu maior tesouro, colocando a vida do seu servidor na frente de balas e munições e nós colocamos”
Por fim, defendeu que a PM ajudou a frear o avanço do crime organizado que, na sua opinião, é um câncer que não será vencido apenas com repressão policial.
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