Mato Grosso
ARTIGO: Quem precisa não pede, grita por socorro
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VANDERSON FERRAZ SANTOS
Nesta quinta-feira,10 de julho, foi o “Dia da Saúde Ocular”, uma data importante para refletirmos sobre como está a nossa visão até agora.
Eu, ao longo de mais de 40 anos, uso óculos de grau e tento cuidar ao máximo da minha saúde ocular, indo rotineiramente ao oftalmologista.
Tanto que, nas últimas horas, realizei minha segunda cirurgia para correção de catarata e, agora, estou com a visão dos dois olhos totalmente restabelecida.
Segundo dados do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), um em cada três idosos com mais de 65 anos sofre uma queda por ano, seja em ambiente público ou em acidentes domésticos. Além disso, 5% desses indivíduos sofrem fraturas ou precisam ser hospitalizados por consequência de traumas sérios que, em muitos casos, levam até ao óbito.
O risco é maior conforme os anos passam. Dentre os idosos com 80 anos ou mais, a estimativa de queda sobe para 40%.
Pesquisas também revelam que uma parcela significativa desses idosos que sofrem algum tipo de trauma doméstico provém de uma visão prejudicada. Muitos possuem catarata nos dois olhos, comprometendo sua locomoção e autonomia no dia a dia.
Em Mato Grosso, milhares de pessoas estão há muito tempo na fila de espera, aguardando por uma cirurgia de catarata ou outro tratamento ocular.
Tamanha é a minha indignação diante dessa humilhante situação que afeta tantos mato-grossenses, que decidi destinar uma emenda de R$ 2,4 milhões para o programa “Fila Zero Cirurgias Oftalmológicas”, uma parceria da Assembleia Legislativa, Governo do Estado e Prefeitura Municipal de Poconé.
Com isso, desde o mês de fevereiro mais de 8.500 procedimentos, entre cirurgias de catarata e pterígio, consultas e exames foram realizados em 11 municípios da Baixada Cuiabana, sendo eles: Cuiabá, Várzea Grande, Poconé, Barra do Bugres, Cáceres, Nobres, Nossa Senhora do Livramento, São José dos Quatro Marcos, Porto Estrela, Jangada e Santo Afonso.
Pode parecer “pouca coisa”, como dizem por aí, ou um ato que representa “mais que minha obrigação” como deputado estadual, porém, sei que isso representa muito para cada cidadão ou cidadã que precisa de uma assistência em saúde pública.
Tenho trabalhado bastante para fazer muito mais pela população do nosso estado. Conheço bem as mazelas que afetam principalmente os municípios interioranos.
Vamos seguindo e acreditando que, aos poucos, obteremos avanços significativos na saúde pública, somando esforços e parcerias para mudarmos o atual cenário no quadro de pacientes regulados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso.
Eu espero, confiante, que, de agora em diante, o processo de espera nas filas por cirurgias eletivas seja mais rápido, porque quem precisa não pede, grita por socorro.
*Eduardo Botelho é deputado estadual pelo União Brasil
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