Agricultura
Cenário global da soja aponta trajetória baixa para 2025
Ao analisar o cenário global da soja para 2025, as tendências de preços, tanto no mercado futuro quanto no físico no Brasil, indicam uma trajetória predominantemente negativa. A projeção é do analista e consultor da Safras & Mercado, Rafael Silveira.
A safra americana se consolida como a segunda maior da história, com cerca de 121,7 milhões de toneladas de soja, o que resulta em estoques finais 37,4% superiores ao ano anterior, totalizando aproximadamente 12,79 milhões de toneladas. Apesar do aumento nas exportações e no esmagamento, os estoques permanecem em um nível confortável, conforme observa o analista.
Na América do Sul, o panorama também sugere uma produção expressiva, favorecida por condições climáticas neutras até o momento, especialmente no Brasil. Apesar de atrasos iniciais no plantio, o ritmo avançou significativamente, superando não apenas os atrasos em termos percentuais, mas atingindo níveis acima da média das últimas cinco safras”, relata o consultor. As condições atuais das lavouras brasileiras são bastante promissoras, com expectativa de altas produtividades em todo o país. “No entanto, será necessário aguardar o desempenho real durante a colheita, prevista para meados de fevereiro”, adverte.
Na Argentina, o terceiro maior produtor de soja do mundo, as expectativas também são otimistas, com projeções de uma safra robusta de cerca de 55 milhões de toneladas, beneficiada por boas condições nas áreas de maior produtividade.
No cenário global, diversos fatores podem impactar o mercado. Apesar da ampla oferta projetada, que tende a pressionar os preços, eventos pontuais podem gerar volatilidade. “Entre eles, destacam-se as eleições americanas e o retorno de Donald Trump à presidência, que pode alterar a dinâmica comercial com a China, especialmente a partir do segundo semestre de 2025”, ressalta Silveira. Os chineses vêm adquirindo volumes significativos de soja dos EUA, antecipando possíveis restrições comerciais que poderiam surgir com a nova administração.
No primeiro semestre, é provável que a China já tenha garantido estoques suficientes para mitigar impactos imediatos de eventuais tensões. No entanto, no segundo semestre, a demanda chinesa deve se intensificar, favorecendo as exportações brasileiras devido à relação bilateral favorável entre os dois países. “Isto pode gerar oportunidades, mas também desafios em termos de preços”, comenta o analista.
Para o consultor, o contexto macroeconômico permanece desafiador, especialmente no primeiro semestre, com pressão logística e a possibilidade de um dólar elevado, o que pode impactar negativamente os prêmios de exportação devido à grande oferta no mercado. “Na CBOT, existe o risco de os produtores americanos reduzirem a área de plantio de soja na safra 2025/26, dado o cenário de queda acentuada nos preços”, acredita. Este fator, combinado com o mercado climático nos EUA, pode oferecer algum suporte aos preços futuros.
Se houver uma demanda forte pelo grão brasileiro por parte da China, os preços podem se tornar mais favoráveis ao produtor brasileiro. “Contudo, é importante ressaltar que o cenário geral é marcado por uma oferta elevada, com exportações possivelmente recordes, maior esmagamento e estoques confortáveis”, enumera Silveira. Assim, ganhos mais significativos de preço podem ocorrer apenas no final do terceiro trimestre ou início do quarto trimestre do ano.
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