Saúde
Colesterol descontrolado pode aumentar o risco de demência em 60%
A investigação foi feita por neurologistas da Universidade Monash, na Austrália, com quase 10 mil idosos. Segundo o estudo, , mesmo que tendendo para o alto, não aumenta tanto o risco de declínio cognitivo quanto viver com variações nos níveis na terceira idade.
O que mostra o estudo
Durante o tempo de análise, 509 (5,1%) voluntários sofreram demência.
No grupo de 20% dos participantes que teve maiores flutuações de colesterol ao longo dos cinco anos de estudo, para mais ou para menos, foram 147 diagnósticos de demência, aproximadamente 6,1%.
A taxa de diagnósticos de declínio cognitivo no grupo com maior flutuação de colesterol foi de 11,3 casos por mil pessoas ao ano.
No grupo de 20% dos participantes com menor variação, a taxa foi de 7,1 por mil pessoas/ano.
Como foi feito o estudo?
O estudo não estabelece uma relação causal, explicando os motivos que levam aos dados encontrados, apenas analisou o perfil de 9.846 indivíduos com média de 74 anos, inicialmente sem problemas de memória, para
Os participantes tiveram os níveis de colesterol medidos no início do estudo e em três visitas anuais subsequentes. Durante o período de acompanhamento, os voluntários realizaram testes de memória anualmente. Aqueles que já utilizavam medicamentos para controle das taxas, como estatinas, foram incluídos, desde que não alterassem o tratamento durante o estudo.
Flutuações no colesterol como biomarcador da demência
Os participantes foram divididos em quatro grupos com base na variação do colesterol. Após ajustes para fatores como idade, tabagismo e pressão arterial, os pesquisadores descobriram que aqueles com situações de saúde semelhante e que tinham maior variação no colesterol tinham 60% mais chances de desenvolver demência em comparação com o grupo de menor variação.
A pesquisa sugere que a estabilidade nos níveis de colesterol pode ser tão importante quanto os valores absolutos.
Além disso, flutuações no LDL, conhecido como colesterol “ruim”, também foram associadas a um maior risco de comprometimento cognitivo leve, incluindo perda de memória que, no entanto, não atende aos critérios para demência. Não houve associação significativa da demência com o HDL, considerado “bom”, ou com triglicerídeos.
A médica Zhen Zhou, principal autora do estudo, destacou que a variabilidade do colesterol pode servir como um novo biomarcador para identificar idosos em risco de demência. “O monitoramento regular pode ajudar a detectar precocemente aqueles que podem se beneficiar de intervenções, como mudanças no estilo de vida ou uso de estatinas, para reduzir o risco de declínio cognitivo”, afirmou Zhou.
Participantes que iniciaram ou interromperam o uso de medicamentos para colesterol foram excluídos dos comparativos finais para não comprometer os dados, mas não houve avaliações sobre voluntários que já faziam uso do remédio e tiveram alterações em suas dosagens que poderiam alterar os resultados das flutuações. Apesar disso, os resultados reforçam a importância do acompanhamento contínuo da saúde cardiovascular como parte das estratégias para preservar a função cognitiva em idosos.
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