Opinião
Dia Nacional de combate ao glaucoma
Helder Rondon Luz
O glaucoma é uma doença oftalmológica, silenciosa e que leva a perda do campo visual de forma lenta, progressiva e assintomática; quando a pressão intra-ocular alta e não tratada, causa lesão definitiva do nervo óptico, podendo evoluir para cegueira de forma irreversível, sendo o glaucoma, portanto, a maior causa de cegueira evitável no mundo.
Fazem parte dos grupos de risco pessoas acima de 40 anos, com histórico familiar de glaucoma mas também em pessoas portadores de diabetes, hipertensão sistêmica, pessoas da raça negra ou asiáticos, miopia elevada ou ainda pacientes usuários de corticóides por longo prazo. Além de outros tipos de glaucoma causados por outras doenças sistêmicas, traumas oculares ou forma congênita.
O glaucoma se desenvolve quando a pressão intra-ocular elevada por longos períodos, por problemas em sua drenagem ocular( escoamento do humor aquoso), lesa as fibras do nervo óptico( que leva a informação visual ao cérebro) de forma irreversível causando uma perda do campo visual, inicialmente periférica e avançando para o campo de visão central, por isso é uma doença que só é percebida, ou seja, só aparecem os sintomas da perda da visão quando já em estágio avançada, o que reforça sua necessidade de exames oftalmológicos preventivos e regulares.
No Brasil, estima-se que entre 1,7 milhão e 2,5 milhões de pessoas convivam com o glaucoma, uma condição que afeta principalmente indivíduos acima dos 40 anos. A prevalência da doença na população brasileira nessa faixa etária varia de 2% a 3%, aumentando significativamente com a idade: cerca de 4% entre os que têm mais de 40 anos e entre 15% a 20% entre os que têm mais de 75 anos.
O tratamento em fase inicial é realizado com colírios ou laser e tem por objetivo baixar a pressão no olho e mantê-la sob controle adequado. Em casos mais avançados, pode ser necessário realização de cirurgia para melhor controle da pressão e evitar progressão do dano ao nervo óptico. Ou seja, o glaucoma é uma doença que não tem cura, mas tem controle, por isso a importância de diagnósticos e tratamento precoce e, acima de tudo, fidelização ao tratamento e acompanhamento regular com médico oftalmologista.
O Conselho Brasileiro de Oftalmologia, Sociedade Brasileira de Glaucoma, bem como a Associação Mato-grossense de Oftalmologia, reforçam a importância da divulgação dessa campanha informativa à população de forma geral recomendando a procura de consultas regulares com médicos oftalmologistas para evitar os danos maiores do glaucoma: perda visual ou cegueira irreversível.
Helder Rondon Luz é médico oftalmologista e presidente da Associação Mato-Grossense de Oftalmologia
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