Agricultura
Dólar e demanda externa elevam preço da soja no Brasil
Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços da soja subiram nos mercados nacional e internacional ao longo da última semana. Segundo pesquisadores do órgão, no Brasil, a alta nos valores foi intensificada pela expressiva valorização do dólar frente ao real – a moeda norte-americana chegou a ser negociada acima de R$ 6 na semana passada.
Entretanto, segundo o Cepea, o ritmo de negócios no mercado spot nacional foi limitado pela forte oscilação cambial, que deixou parte dos agentes mais cautelosa e à espera de melhores oportunidades.
As sobretaxas adotadas pela presidente dos Estados Unidos influenciam o mercado. No dia 9, o governo americano suspendeu as tarifas recíprocas de vários países (incluindo o Brasil) por 90 dias, com exceção da China.
Pesquisadores do Cepea indicam que, por um lado, esse cenário trouxe certo alívio ao mercado e movimentou as transações internacionais, mas, por outro, acirrou a guerra comercial com a China, que, por sua vez, deve buscar intensificar as importações de outros países, como o Brasil.
A China é o maior consumidor mundial do grão e o país é o principal destino da soja brasileira. Em 2024, o Brasil exportou 69 milhões de toneladas de soja aos chineses.
Soja retoma fôlego
Segundo a consultoria Safras & Mercado, um movimento de compras ganhou força e garantiu uma reversão técnica em Chicago, com ganhos acumulados de cerca de 5% até a manhã desta sexta-feira, após os contratos atingirem os menores patamares em quatro meses.
Além disso, o relatório de abril do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) influenciou o mercado. Segundo o órgão, a safra norte-americana de soja em 2024/25 deve alcançar 4,366 bilhões de bushels (118,82 milhões de toneladas), com produtividade estimada em 50,7 bushels por acre – números que se mantêm iguais aos divulgados em fevereiro.
O USDA revisou para cima a estimativa de produção brasileira para 2023/24, passando de 153 milhões para 154,5 milhões de toneladas. Para 2024/25, o número foi mantido em 169 milhões. No caso da Argentina, as previsões seguem estáveis: 48,21 milhões de toneladas para 2023/24 e 49 milhões para 2024/25.
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