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Brasil, o colosso que alimenta todos – Por Artur Piva

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Exportações de alimentos do Brasil abrangem 200 destinos ao redor do planeta  Foto New Africa Shutterstock

O país abastece diversas nações com comida sem distinguir características políticas e culturais

Ministério da Agricultura teve mais um registro recorde para o agronegócio brasileiro. Por meio do setor, o país faturou quase US$ 123 bilhões com as exportações realizadas entre janeiro e setembro. Para chegar ao montante, cerca de 200 países receberam alimentos e itens diversos elaborados a partir de outras matérias-primas do campo.

Sem enxergar diferenças

O envio de produtos atende tanto aos capitalistas norte-americanos quanto aos comunistas chineses. Não há distinção nem sequer por religião. Do mesmo modo que o setor abastece os judeus de Israel e os católicos no Vaticano, ele também fornece comida a hindus na Índia, budistas no Nepal e diversos países islâmicos, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Líbia, etc.

Boa parte dos turistas que vão para a Copa do Mundo do Qatar deve comer, por exemplo, carne de frango brasileira vendida ao país de maioria muçulmana. Ao longo do ano, cerca de 83 milhões de quilos desse tipo de proteína já foram enviados do Brasil para lá.

Os cataris, entretanto, nem sequer estão no top dez dos países que compraram carne de frango do Brasil. Atualmente, a China é o maior cliente brasileiro: 410 milhões de quilos ao longo deste ano. Nas segunda e terceira posições aparecem os Emirados Árabes Unidos (350 milhões de quilos) e o Japão (315 milhões de quilos).

A lista é composta por cerca de 160 destinos, contando países e territórios autônomos. Entre eles, Taiwan — que não aceita se submeter ao governo chinês. Ou seja: o agronegócio do Brasil não exclui ninguém entre as populações que precisam importar comida. De janeiro a setembro de 2022, os produtores brasileiros enviaram 3,5 bilhões de quilos de proteína de frango ao mundo.

O carro-chefe

Somando todos os produtos, o agronegócio do Brasil exportou quase 180 milhões de toneladas ao redor do globo. O carro-chefe é o complexo da soja, formado pelo grão in natura, além do óleo e do farelo. Por volta da metade de todos os embarques feitos no solo brasileiro.

Mais uma vez, a China é o principal comprador: 47 milhões de toneladas, aproximadamente. Os clientes, porém, não se limitam ao gigante. Mesmo fazendo críticas, a União Europeia não abriu mão da soja brasileira. Somados, os 27 países-membros do bloco formaram o segundo destino dos envios do complexo da soja do Brasil para o mercado externo: 13 milhões de toneladas.

Nem mesmo a França ficou de fora. O país governado por Emmanuel Macron ficou no quinto lugar entre os importadores do complexo da soja do Brasil e 14º na lista composta por uma centena de destinos.

E ainda tem mais

Além disso, os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos mostram que o agronegócio brasileiro é o principal fornecedor global de diversos itens. Conforme dados da pasta, o país lidera as exportações globais de soja, milho, café, carne bovina e frango, açúcar e suco de laranja em 2022.

Essa posição vem acompanhada da liderança em preservação. Dois terços de todo o território estão preservados. Em média, as áreas de conservação brasileiras cobrem por volta de 50% das áreas agrícolas. Em média, os produtores rurais brasileiros preservam 50% de sua propriedade — a porcentagem, determinada por lei, varia de acordo com o Estado: em São Paulo, por exemplo, são 20%; na Amazônia, 80%. Isso não ocorre em nenhum outro lugar do planeta.

Reconhecimento internacional

A legislação é tão abrangente que é elogiada internacionalmente mesmo pelos blocos mais exigentes. Um caso recente ocorreu durante entrevista concedida por Ignacio Ybá, embaixador da União Europeia no Brasil, à Edição 127 da Revista Oeste.

“Reconhecemos que o marco legal do Brasil, em particular o Código Florestal, é muito positivo”, comentou o diplomata. “A legislação ambiental brasileira é exemplar”.

Quando o assunto é ESG, a sigla que passou a ser usada recentemente para classificar empresas que prezavam pela preservação ambiental e pela sustentabilidade, a produção rural do país já toma todas as práticas por exigência legal. Falta apenas um sistema capaz de manter o histórico comprovando as boas práticas, conforme explica Nelson Ananais, coordenador de Sustentabilidade da Confederação Nacional da Agricultura.

“O ESG no agronegócio do Brasil não é algo para a próxima década, é uma ação que vem sendo trabalhada há pelo menos dez anos com desenvolvimento sustentável da agricultura, da garantia da segurança alimentar atrelada à preservação ambiental e a conformidade com as leis trabalhistas e com as questões sociais”, explica.

“A gente já vem cumprindo a agenda ESG há quase dez anos com o desenvolvimento da agricultura de baixo carbono, há 40 anos com Código Florestal e há 50 anos com a transformação do Brasil em um país que garante a própria segurança alimentar e ainda exporta alimentos.”

A grande verdade

Estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostram que o Brasil alimenta, pelo menos, 800 milhões de seres humanos ao redor do planeta. Ou seja: mais de 10% da população mundial. O país consegue fazer isso de modo tão eficiente e barato que desponta como a grande potência para garantir segurança alimentar ao mundo.

E mesmo com essa posição de expansão, ainda existe potencial nacional para aumentar a quantidade de alimentos que produz sem expandir a área ocupada pela agropecuária. A chave desse processo é a técnica de Integração Lavoura-Floresta-Pecuária, defendida pela Embrapa. Por meio desse manejo, faz-se a rotação entre agricultura e pecuária para a otimização da produção e recuperação de áreas degradadas.

Ao conhecer esse modelo de produção, em 2021, o inglês Alok Sharma, que presidiu a Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas daquele ano, disse que o mundo precisa dessa inovação. “Estou falando aqui da Embrapa Cerrados, nos arredores de Brasília, onde tecnologias inovadoras e de baixo carbono estão ajudando a aumentar a produtividade agrícola brasileira ao evitar o desmatamento prejudicial e criando empregos verdes para os brasileiros”, afirmou em vídeo publicado no Twitter .

Diretora-geral da Organização Mundial do Comércio, Ngozi Okonjo-Iweala disse que o mundo precisa da agricultura brasileira. A fala ocorreu quando ela visitou o país em abril deste ano.

“Eu sei que o mundo não sobrevive sem a agricultura brasileira”, disse Ngozi, durante um encontro com a Frente Parlamentar da Agropecuária. “Precisamos pensar nos desafios futuros, não só do Brasil, mas do mundo todo. Estou animada sobre o que o Brasil tem a dizer sobre a área ambiental e as tecnologias produtivas com potencial de descarbonização” (Revista Oeste, 23/10/22)

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Polícia Militar do Rio analisa origem de 492 fuzis apreendidos em 2023

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Mais de 90% dos fuzis apreendidos no ano passado pela Polícia Militar do Rio de Janeiro foram fabricados em outros países. O maior número de apreensões ocorreu em áreas do estado onde há disputas de território entre facções criminosas rivais. As duas constatações fazem parte de um estudo da Subsecretaria de Inteligência (SSI)da Secretaria de Estado de Polícia Militar, que analisou a apreensão de 492 fuzis em 2023.

Um aspecto abordado no estudo da SSI diz respeito à marca dos fuzis apreendidos. Dos 492, 199 são da marca norte-americana Colt. Foram registrados no estudo 194 fuzis sem marca, ou seja, armas que entram no país ou no estado separadas por peças e montadas por armeiros envolvidos com as organizações criminosas. As demais armas apreendidas são de 43 marcas diversas, praticamente todas de países do Hemisfério Norte.  

O estudo da SSI mostra que as apreensões se concentraram com maior intensidade nas áreas integradas de segurança pública (AISPs) da zona oeste da capital e da Baixada Fluminense. Das dez AISPs com maior número de apreensões, oito estão situadas nessas regiões do estado. As únicas exceções são a AISP 3 (região do Méier e adjacências) e a AISP 16 (Olaria e adjacências). Das 492 apreensões de fuzis no ano passado, 377 foram registradas nessas dez regiões.

Ainda sob o aspecto geográfico, o estudo destaca a expansão do crime organizado para o interior do estado. Na região do 5º Comando de Policiamento (5º CPA), Sul Fluminense e Costa Verde, foram apreendidos 13 fuzis no ano passado. Já na região do 6º CPA, Norte e Noroeste do estado, ocorreram sete apreensões.

“Compartilhado com a Polícia Federal, o estudo indica que o tráfico internacional de armas representa um dos maiores desafios para a área de segurança pública do Rio de Janeiro, cuja solução depende de uma ação articulada entre as polícias do estado e as forças federais”, diz nota da Polícia Militar.

Via: Agência Brasil

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Aliados de Bolsonaro fazem ato político no Rio de Janeiro

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Aliados do ex-presidente da República Jair Bolsonaro fizeram um ato público na orla da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, na manhã deste domingo (21). O próprio Bolsonaro usou suas redes sociais para convocar as pessoas para a manifestação.

Com várias falas que misturaram política e religião, os aliados do ex-presidente fizeram discursos em favor de Bolsonaro, do dono da rede social X (ex-Twitter), Elon Musk, e da liberdade de expressão, além de criticarem veículos de imprensa, o atual governo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e as investigações em relação à tentativa de golpe de Estado.

Ao falar em cima de um trio elétrico, Bolsonaro se disse vítima da “covardia” de um “sistema” que quer vê-lo “fora de combate em definitivo”. 

Bolsonaro é investigado em inquérito sobre a tentativa de golpe ocorrida no dia 8 de janeiro de 2022. Seu passaporte foi apreendido pela Polícia Federal (PF), em fevereiro, por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, durante a operação Tempus Veritatis.

Segundo a investigação da PF, quando ainda era presidente da República, Jair Bolsonaro discutiu com militares uma minuta de golpe de Estado, em que previa prender Moraes, o também ministro do STF Gilmar Mendes e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

Além disso, a minuta previa a realização de novas eleições presidenciais, usando, como justificativa, falsos indícios de fraudes nas urnas eletrônicas.

Para os manifestantes que estavam em Copacabana, o ex-presidente se defendeu de suposto envolvimento na elaboração da chamada minuta do golpe.

“Nunca jogamos fora das quatro linhas. Alguém já viu essa minuta de golpe? Quando se fala em estado de sítio, é uma proposta que o presidente, dentro de suas atribuições constitucionais, pode submeter ao parlamento brasileiro. O presidente não baixa decreto nenhum. Só baixa decreto depois que o parlamento der o sinal verde”, disse Bolsonaro neste domingo.

Bolsonaro também defendeu os manifestantes presos durante os atos de 8 de janeiro, quando centenas de pessoas invadiram e vandalizaram o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Ele voltou a falar sobre o processo eleitoral. “Que nós possamos disputar as eleições sem qualquer suspeição. Afinal de contas, a alma da democracia é uma eleição limpa, onde ninguém pode sequer pensar em duvidar dela. Não estou duvidando das eleições, página virada. Até porque podemos ver, um dia, um time de futebol sem torcida ser campeão, mas pela primeira vez na história do Brasil, nós estamos vendo um presidente eleito, sem povo ao seu lado”.

Em junho do ano passado, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tornou Bolsonaro inelegível por oito anos, por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, já que, em julho de 2022, durante a campanha eleitoral, o então candidato à reeleição convocou uma reunião com embaixadores para atacar o sistema eletrônico de votação, sem apresentar provas.

Em outubro do mesmo ano, Bolsonaro tornou-se inelegível pela segunda vez pelo TSE por abuso de poder político. Por maioria, os ministros consideraram que ele aproveitou as celebrações de 200 anos da independência do Brasil, em 7 de setembro de 2022, para seu benefício em sua campanha eleitoral pela reeleição.

Via: Agência Brasil

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Mulheres sambistas lançam livro-disco infantil com protagonista negra

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Uma menina de 4 anos, chamada de Flor de Maria, que vive aventuras mágicas embaixo da mesa da roda de samba, e descobre um mundo cheio de cores, sons e sensações diferentes. Uma experiência que a conecta com uma expressão cultural e comunitária ancestral. Esse é o enredo do disco-livro É Pretinha, lançado nesta semana pela editora Rubra.

As autoras são Marina Iris e Manu da Cuíca, com ilustrações de Tétiiz e produção musical de Ana Costa. O objetivo das autoras era celebrar o samba e a infância. E, ao misturar livro e músicas, permitir que os leitores mergulhassem em um cenário mais vibrante e sensorial.

As músicas podem ser ouvidas no Spotify e YouTube gratuitamente.

Uma das autoras, Marina Iris, explica que se inspirou em ambientes comuns do subúrbio para criar a história de É Pretinha.

“Quando idealizei o É Pretinha, pensei em trazer para a literatura infantil o contexto de samba, subúrbio, quintal, família e ancestralidade. Queria que tudo estivesse presente de forma natural e poética, inspirada na infância cheia de abstração e poesia”, disse Marina Iris.

Outra autora, Manu da Cuíca, revela que a história traz elementos pessoais do passado e do presente.

“Contar uma história após me tornar mãe se tornou um rito de intimidade e carinho, onde entrelaço minha infância na da minha filha. Eu, Ana e Marina conversamos muito sobre essa dimensão das histórias antes de começarmos a criar”, disse Manu da Cuíca.

Via: Agência Brasil

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