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Maio Laranja e Enchentes: Um Chamado à Proteção Integral da Infância

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MAX RUSSI

Max Russi

Enquanto o mês de maio destaca-se pela conscientização contra a violência infantil, as águas que inundam o Rio Grande do Sul neste mesmo período são um lembrete doloroso da vulnerabilidade enfrentada pelas crianças em crises. A inocência dá espaço ao pesadelo, isso em diversos sentidos.

É revoltante ver que, em meio a todo esse caos e traumas que podem durar uma vida toda, a escória da sociedade se aproveita para cometer abusos sexuais dentro de abrigos.  Até mesmo o lugar onde as famílias deveriam encontrar assistência social e conforto está vulnerável à ação desprezível desses monstros. Isso é triste e revoltante!

A resposta do governo do Rio Grande do Sul, através das forças de segurança, que resultou na captura dos responsáveis pelos crimes cometidos, foi fundamental. Mas, precisamos seguir vigilantes. Agora mais ainda.

No centro de tantas preocupações, onde precisamos deixar de lado toda e qualquer diferença, seja ela ideológica, religiosa, ou de pensamento e posicionamento, para nos unirmos aos alicerces da solidariedade em todo o país, também se faz necessário que estejamos atentos, para podermos proteger as nossas crianças e a todos os que se encontram vulneráveis.

É fundamental que todos os setores da sociedade se unam neste momento crítico. Todas as autoridades políticas, governos, organizações não governamentais e, principalmente, cidadãos, para trabalharmos juntos em prol do fortalecimento da proteção de nossas crianças.

Assim como o “Maio Laranja” nos convoca a proteger, as enchentes que assolam o Rio Grande do Sul exigem uma ação imediata para garantir seu bem-estar e segurança infantil.

A proteção infantil não pode ser comprometida, nem mesmo nas circunstâncias mais difíceis. Não apenas aproveitar esse mês e os lamentáveis acontecimentos como catalisadores para ações mais contundentes, mas sim potencializar as políticas públicas integrais contra a violência nos 365 dias do ano.

Digo e repito, os desafios colocados pelas enchentes no Rio Grande do Sul ressaltam a importância de uma abordagem integrada e colaborativa para proteger nossas crianças. Isso precisa ser uma prioridade inegociável. É hora de agir com empatia, determinação e compromisso em prol das nossas futuras gerações.

Max Russi é deputado estadual e primeiro-secretário da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso

Fonte: Rufando o Bombo

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Melancia

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Roberta D’Albuquerque

Digamos que você tenha acordado num domingo qualquer, comido um cogumelo e decidido ir ao cinema no Shopping Iguatemi. Calma, eu sei que você não é desses. Quem vai ao cinema no Shopping Iguatemi? Mas a gente tá brincando aqui, não vai te passar nada que você não dê conta.Vem comigo. Você acordou bem, contente, dormiu pedrinha em lençol de nuvem. Alguém te preparou café, pão torrado e um ovinho mexido, o ovo naquele ponto de “minha nossa senhora, como a vida é boa”. Diante dessa delícia, você saca a ideia do cinema, “queria te levar no cinema” e o alguém do café saca a do cogumelo, “quero. Será que valia a gente comer esse cogumelo antes do cinema?”. Comem lavando os pratos ainda.

Vocês iam no cinema de rua feito todo mundo. Mas aí que se atrapalham entre a porta, o elevador e o táxi e já no táxi se dão conta de que perderam o horário da sessão por uma hora e meia mais ou menos que “eita, esse ano tá voando”. A próxima sessão é a do Shopping Iguatemi. Pedem para o táxi entrar no estacionamento e seguir até o sétimo andar. O taxista obedece sem perguntar por que vocês não ficam na porta de entrada. E a partir daqui, acho que podemos seguir o exemplo do taxista. Pra que perguntar o porquê de tudo também, não é?

O elevador para no sexto, no quinto, no quarto, onde vocês deveriam ter descido, no terceiro e no segundo. A cada andar entra uma mulher acompanhada de um homem com um casaquinho sobre o ombro. Tá frio, mas por alguma razão, os homens do Shopping Iguatemi não vestem seus casaquinhos. No terceiro, vocês já são oito dentro do elevador. Aí entram uma mulher e um homem com casaquinho e um filho no ombro com seu próprio mini casaquinho no mini ombro. Você acha a cena um pouquinho perturbadora e deixa vazar um “não” meio mais alto e mais rouco do que o seu não normal quando a dona dos acasacadinhos pergunta um “cabe?”. Ninguém escuta porque toda a população do elevador diz que cabe por cima de você. Ai a mulher pergunta pro mini homem, “qual é a frutinha do próximo andar?” Você não entende nada, mas depois o alguém do café te explica que cada andar é representado por uma fruta. Parece que o sétimo é melancia. Vocês decoraram pra não perder o carro na hora de voltar. O mini homem sabe as frutinhas de cor, embora a mulher tenha feito questão de esclarecer que “comer, comer mesmo, ele só come banana”. O coro dos acasacadinhos e suas mulheres ri coreografado. 

Vocês conseguem se desvencilhar do elevador e andam cheios de pressa pelos corredores e escadas entre o segundo e o quarto andar. Vocês passam pelo terceiro andar sete vezes. Acham o cinema. O atendente é simpático de dar medo e cada dente dele equivalem a uns 3 seus. Vocês pagam o ingresso tentando evitar os dentes do atendente, mas ele é simpático, lembra? Sorri tanto quanto o povo do elevador. Vocês querem pipoca, Mentos e água. “Qual pipoca?”, o moço do balcão pergunta sem rir, você escuta, mas instala na cabeça uma outra pergunta, “será que esse não tem dentes?”.

Ele tinha, mas o Mentos tava em falta. Você fica repetindo que sim com a cabeça, sem entender o que o cara tá perguntando e acaba levando um adicional de azeite trufado por R$27 para uma pipoca doce de chocolate. Vocês entram na sala. A pipoca é ótima, o filme também, mas na hora de voltar, vocês percebem que alguém roubou o carro.

Roberta D’Albuquerque é psicanalista, atende em seu consultório em São Paulo e escreve semanalmente no Gazeta Digital e em outros 17 jornais e revistas do Brasil, EUA e Canadá. E-mail: contato@robertadalbuquerque.com.br

Fonte: Rufando o Bombo

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SXSW: debate sobre ética na IA generativa e avanços da robótica entre pontos altos do evento

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ANTÔNIO PAES JR.

Antônio Paes Jr.

Aqui em Austin, no Texas, temos a oportunidade de entrar em contato com ideias visionárias, propostas enriquecedoras e momentos inspiracionais. Com várias palestras acontecendo ao mesmo tempo, cada um de nós monta seu próprio recorte do que conseguiu absorver no South by Southwest (SXSW), evento já consagrado que reúne criativos, inovadores e contadores de histórias das indústrias globais de tecnologia, cinema e música.

Aqui estão alguns dos temas me chamaram mais atenção:

1) Augmented Human IA:

Fiquei intrigado com a palestra “AI and Humanity’s Co-evolution”, do Head do ChatGPTPeter Dengd, que mostrou como a inteligência artificial pode promover um processo educativo das pessoas, inclusive auxiliando a detectar fraudes. Ele abordou a tendência emergente das IAs para o “Augmented Human”, um modelo de design centrado no ser humano, em que a inteligência artificial e as pessoas colaboram para aprimorar o desempenho cognitivo, a tomada de decisões e criar novas experiências.

Essa abordagem, segundo os palestrantes, tem o potencial de melhorar significativamente o desempenho das pessoas. Deng reforça a ideia de que as IAs generativas podem ser parceiras na evolução da espécie humana.

2) Ética na IA generativa

Peter Deng ainda proporcionou uma oportunidade incrível para discutirmos, como desenvolvedores e entusiastas da tecnologia, qual a nossa responsabilidade pelos impactos sociais da IA Generativa.

O head do Chat GPT revelou ter genuína preocupação com as ramificações éticas e sociais de suas criações. Ele mencionou também que a inteligência artificial não tem um único propósito definido e utilizou uma analogia interessante. Esta ferramenta pode escrever um livro, mas é o ser humano que decide o tema e a relevância do conteúdo, mantendo assim um papel essencial e insubstituível na equação.

Achei interessante a reflexão de como garantir que teremos nosso espaço no mercado de trabalho nos próximos anos. Foi citada a importância da curiosidade contínua e da busca pelo aprendizado constante, características naturais do ser humano, para nos mantermos relevantes no mercado de trabalho. É fato que vamos ter que nos adaptar às transformações em curso.

3) Status da computação quântica

A computação quântica, na minha opinião, foi um dos temas mais importantes do evento. Embora os computadores quânticos se mostrem promissores para resolver problemas de física e química quântica, a aceleração na resolução de problemas, tão esperada na interseção com a inteligência artificial e o machine learning, ainda não se materializou. Essa revelação foi, sem dúvida, o ponto alto do meu dia.

4) Avanços no campo da robótica

O exército americano mostrou uma variedade de aplicações de robótica com protótipos de exoesqueletos, cada um apresentando suas funcionalidades, reforçaram minha impressão da notável versatilidade dessa tecnologia. Além disso, a exposição também demonstrou o uso de robôs e drones dedicados à desativação de explosivos. O estande ofereceu um vislumbre das inovações em andamento no campo da robótica.

Em suma, minha participação na South by Southwest esta semana foi uma experiência enriquecedora que me permitiu mergulhar nas tendências tecnológicas mais recentes e absorver uma riqueza de insights valiosos. Cada momento ofereceu uma visão única sobre o futuro da tecnologia e seu impacto em nossas vidas. Fica claro para mim que estamos no limiar de uma era emocionante e desafiadora, em que a colaboração entre humanos e tecnologia moldará profundamente nosso mundo.

Antônio Paes Jr, ex-NASA e professor universitário, é Chief Growth Officer for North America da Zallpy, empresa especializada no desenvolvimento de soluções digitais personalizadas para empresas de grande porte.

Fonte: Rufando o Bombo

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Saúde da mulher e mortalidade materna

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Dra. Giovana Fortunato

A mortalidade materna é um importante indicador da qualidade de saúde ofertada para as pessoas e é fortemente influenciada pelas condições socioeconômicas da população. Em média, 40% a 50% das causas podem ser consideradas evitáveis.

O atraso no reconhecimento de condições modificáveis, na chegada ao serviço de saúde e no tratamento adequado, está entre as principais causas das altas taxas de mortalidade materna ainda presentes na maior parte dos estados brasileiros.

Trazemos este tema por ocasião do Dia Internacional de Ação Pela Saúde da Mulher e Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, lembrado em 28 de maio.

O principal objetivo da atenção pré-natal e puerperal é garantir o bem-estar materno e fetal. Para isso, as equipes de saúde da Atenção Primária devem acolher a mulher desde o início da gravidez (o mais precocemente possível, no início ou até antes da gestação); reconhecer, acompanhar e tratar as principais causas de morbimortalidade materna e fetal; e estar disponíveis quando ocorrerem intercorrências durante a gestação e puerpério.

De acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), embora tenha registrado avanços, os indicadores ainda estão relativamente elevados no Brasil, onde a mortalidade na infância está concentrada no período neonatal, permanecendo o desafio de oferecer melhores serviços de saúde primária e especializada, pois a maior parte desses óbitos ocorre em função de eventos sensíveis à melhoria do sistema de saúde na assistência pré-natal e na atenção ao recém-nascido.

O cenário da mortalidade materna tomou uma dimensão ainda mais preocupante no período da pandemia COVID-19, quando se observou um aumento de 70 %. Dados de estudo realizado pela Fiocruz Amazônia mostraram que, no período de março de 2020 a maio de 2021, foram identificadas 3.291 mortes maternas no Brasil, resultando em um excesso de 1.353 mortes maternas além do esperado.

A região Norte, uma das mais vulneráveis do país, foi a única em que se observou excesso de mortes maternas na faixa etária de 37-49 anos, ao longo do período avaliado. Além disso, na região Sul foi observado aumento explosivo das mortes maternas, principalmente nas mulheres com faixa etária entre 37-49 anos, atingindo o valor de 375% na mortalidade materna excedente.

Por definição, a morte materna é o óbito de uma mulher durante a gestação ou em até 42 dias após o término da gestação, independentemente da duração ou da localização da gravidez. É causada por qualquer fator relacionado ou agravado pela gravidez ou por medidas tomadas em relação a ela.

Entretanto, a definição não abrange a tragédia que a condição representa. A morte materna, além dos fatores individuais, é a tradução e a manutenção de muitos problemas da nossa sociedade.

A partir de uma morte materna, além da perda individual, há um processo de desestruturação familiar que leva a outros desfechos insatisfatórios, principalmente para a prole da mulher morta.

O pré-natal é considerado um importante indicador de prognóstico de nascimento. O atendimento e acompanhamento de qualidade pode evitar agravamentos das condições de saúde, assim como promover saúde. Com a investigação e acompanhamento durante o período gestacional, é possível manejar precocemente possíveis intercorrências obstétricas e neonatais.

Serviços de saúde e gestantes/puérperas têm responsabilidade solidária na qualidade dos cuidados maternos. A rede de saúde deve facilitar o fluxo de acesso e encaminhamentos desde o atendimento ambulatorial básico ao atendimento hospitalar de alto risco.

Para tanto, devemos desenvolver ações educativas e preventivas, sem intervenções desnecessárias, como também detectar precocemente patologias e situações de risco gestacional e estabelecer vínculo entre o pré-natal e o local do parto. 28 de maio é Dia Internacional de Ação Pela Saúde da Mulher e Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna.

Dra. Giovana Fortunato é ginecologista e obstetra, docente do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do HUJM e especialista em endometriose e infertilidade no Instituto Eladium, em Cuiabá (MT).  

Fonte: Rufando o Bombo

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