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Pedreiro é solto após Defensoria provar que verdadeiro autor dos crimes se passou pelo irmão, pela segunda vez

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Rubens Almeida de Lima, 51 anos, foi libertado no dia 21 de maio, após a Defensoria Pública de Mato Grosso (DPMT) solicitar a anulação da condenação pelos crimes que foram cometidos por seu irmão, Gediel Almeida de Lima, 40 anos.

A Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça (TJMT) acatou o pedido da Defensoria, no dia 20, deferindo a liminar para suspender os efeitos das duas sentenças condenatórias contra Rubens, que estava na Cadeia Pública de Diamantino (183 km de Cuiabá) há mais de seis meses.

Rubens foi preso no dia 30 de outubro de 2023 por crimes cometidos em 2018 e 2019 em Campo Verde – furto, com pena de um ano e nove meses de reclusão, em regime aberto; furto qualificado e falsa identidade, pena de três anos e seis meses de reclusão, em regime inicial fechado, e quatro meses de detenção em regime aberto.

Como foi comprovado posteriormente, quem cometeu os delitos foi Gediel, que utilizou o nome e os dados pessoais de Rubens ao ser detido.

Pai de oito filhos, o mais novo com 17 anos, Rubens é pedreiro e mora em Alto Paraguai. Ele tem cinco irmãos.

“Sou trabalhador. Ficar preso é algo sem explicação. A cadeia estava lotada. Parabéns pra Defensoria! Procuraram as fotos, os vídeos e conseguiram me libertar”, revelou.

Entenda o caso – Gediel foi condenado em 2018 por furto qualificado, iniciou o cumprimento da pena em regime fechado, mas foi solto no início de 2019, beneficiado pela progressão de regime.

Uma semana depois, em fevereiro de 2019, foi novamente preso, na mesma cidade (Campo Verde), e mais uma vez foi condenado, mas agora em regime semiaberto, o que resultou na sua liberdade ainda em 2019.

Durante todo esse tempo, Gediel se passou pelo seu irmão mais velho, Rubens, que acabou sendo preso por esses crimes em outubro do ano passado.

No dia 12 de abril deste ano, Rubens foi atendido pelo defensor público Daniel de Souza Pinto, lotado em Tangará da Serra, mas que estava atuando por cumulação em Diamantino.

Rubens alegou que nunca tinha ido a Campo Verde e que os crimes teriam sido cometidos por seu irmão mais novo, Gediel.

Diante disso, o defensor buscou informações sobre os processos, que estavam registrados no antigo sistema do Judiciário (Apolo), aposentado em 2022.

Ainda no sábado, dia 13, localizou os dois processos no Apolo e, posteriormente, os arquivos audiovisuais das audiências, constatando claramente que não era Rubens quem aparecia nas imagens, e sim seu irmão, Gediel.

“É uma grande preocupação encontrar situações como essa, que se repetem pelo estado. A liberdade do Rubens é o início da correção de uma injustiça grave, que nos traz bastante alívio. Mas, também destaca a atuação da Defensoria Pública nos estabelecimentos de privação de liberdade”, ressaltou o defensor.

Em seguida, a Defensoria de Diamantino assumiu o caso. A defensora pública Synara Vieira Gusmão solicitou a anulação da condenação de Rubens pelos crimes cometidos pelo irmão, a revisão criminal (ainda pendente de julgamento) a fim de que Rubens não tenha antecedentes por crimes que não cometeu, e uma indenização do Estado, no valor de R$ 100 mil, pela prisão irregular.

“Comparando fotos e vídeos constantes nos processos, pudemos ver com clareza não se tratar do Sr. Rubens, ou seja, ele estava preso injustamente. Um dos trabalhos mais gratificantes da Defensoria é socorrer pessoas como o Sr. Rubens, vulneráveis e injustiçados. Seguimos confiantes na Justiça, de que ele possa ser indenizado pelo tempo que passou na prisão”, afirmou a defensora.

O desembargador Marcos Machado deferiu a liminar, no último dia 20, suspendendo o efeito das condenações e expedindo o alvará de soltura, após a realização de audiência de identificação do preso, que concluiu que Rubens não era a pessoa detida pelos crimes em Campo Verde.

“As imagens colacionadas indicam que o autor dos fatos criminosos apurados na ação penal não seria a mesma pessoa presa para o cumprimento da pena, conforme aferição visual”, diz trecho da decisão.

A Justiça determinou ainda a colheita de material para perícia papiloscópica e grafotécnica pela Polícia Técnico-Científica (Politec).

Procurada, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) informou que, no momento, não consta no Sistema de Gestão Penitenciária (Sigepen) que Gediel Almeida de Lima esteja detido em nenhuma unidade prisional de Mato Grosso.

História repetida – Por incrível que pareça, essa não é a primeira vez que isso acontece. Em janeiro de 2019, Izaumi Almeida de Lima ficou 27 dias preso no lugar de Gediel, que apresentou os documentos do irmão quando foi detido em março de 2015, em Canarana, por roubo majorado, furto qualificado e embriaguez na condução de veículo.

Izaumi, que é portador de epilepsia, só foi solto após a intervenção da Defensoria Pública, que provou que ele nunca saiu da cidade de Alto Paraguai e, portanto, seria fisicamente impossível que ele tivesse cometido crimes em Canarana.

Via: Defensoria Pública MT

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1ª etapa de projeto vai atender 600 animais que vivem na UFMT e entorno

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CASTRAMÓVEL

por CLÊNIA GORETH

sexta-feira, 14 de junho de 2024, 17h57

A unidade móvel para castração de animais domésticos inaugurada nesta sexta-feira (14), em Cuiabá, atenderá nesta primeira etapa somente os animais comunitários do campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e entorno. O projeto prevê 600 castrações e a intenção é de que nas próximas etapas a iniciativa seja estendida para outras localidades.

Viabilizado com recursos oriundos do Banco de Projetos e Entidades do Ministério Público (Bapre), o projeto é executado pela Associação Luta e União de Amigos para Animais em Risco (Lunaar) e Associação Mato-grossense Voz Animal (AVA), com apoio da UFMT.

A presidente da Lunaar, Susielene Rodrigues Monteiro, explica que nesta primeira etapa foram priorizados os animais que não têm tutor (dono). O objetivo é empreender esforços para minimizar os problemas enfrentados para a manutenção desses animais e proporcionar uma melhor qualidade de vida.

Segundo a promotora de Justiça Ana Luíza Ávila Peterlini, ao todo foram destinados R$ 507.790,00 para a execução do projeto. O montante foi aplicado na aquisição do trailer castramóvel (R$ 170.500,00), de materiais permanentes (móveis/equipamentos) e na contratação de serviços para o funcionamento da unidade na ação inaugural (R$ 337.290,00).

“Com esta iniciativa, conseguimos dar o primeiro passo para a implementação da política de castração de animais. As Ongs têm trabalhado incansavelmente e de forma voluntária na defesa da causa animal, mas não tem sido suficiente. Esperamos que este projeto possa ser expandido para comunidades carentes e para o interior do estado”, afirmou a promotora de Justiça.

O professor Jackson Rezende, pró-reitor de Pós-Graduação da UFMT, destacou a importância da iniciativa, esclarecendo que a situação em que vivem os animais comunitários é um problema de saúde pública. “Ao longo dos anos, a UFMT tem recebido vários animais que são abandonados. Esse projeto tem sinergia com outras atividades desenvolvidas pela instituição e será de extrema importância para a manutenção desses animais”, observou.

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Via: Ministério Público MT

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Justiça acata pedido da Defensoria e suspende busca e indisponibilidade de bens de agricultor com renda mensal de R$ 600

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Após atuação da Defensoria Pública (DPMT), o Tribunal de Justiça (TJMT) suspendeu todos os processos relativos à busca e indisponibilidade de bens de devedores por meio da Central de Indisponibilidade de Bens (CNIB) em Mato Grosso.

No caso específico, o Banco do Brasil (BB) alegou que não conseguia cobrar uma dívida de aproximadamente R$ 29 mil de M.C. da S., 59 anos, agricultor familiar, com renda mensal de R$ 600, que mora e trabalha em um sítio na zona rural de Tangará da Serra (243 km de Cuiabá).

A dívida inicial era de R$ 18 mil, contraída em abril de 2006, por meio de uma nota de crédito rural, e saltou para R$ 29.604,00 por conta dos juros e correção monetária.

O pequeno agricultor alegou que não conseguiu quitar o pagamento, parcelado em sete prestações, com vencimento final em abril de 2016, porque passou por dificuldades financeiras.

Assim, o banco solicitou à Justiça a indisponibilidade dos bens do agricultor pela CNIB, que permite ao cartório fazer consultas e informar ao comprador do imóvel, se for o caso, sobre a existência de indisponibilidade e os riscos associados ao negócio.

Em julho de 2020, a Justiça chegou a bloquear R$ 600 em uma conta da Caixa Econômica Federal do agricultor. Porém, a Defensoria conseguiu o desbloqueio do valor na Justiça, por se tratar do auxílio emergencial do Governo Federal, em virtude da pandemia de Covid-19,

A defensora pública de segunda instância, Raquel Ribeiro, interpôs contrarrazões do agravo, alegando que essa matéria está suspensa em decorrência do Tema 1.137, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou, em abril de 2023, o sobrestamento de todos os processos e recursos até o julgamento da matéria.

“A bem da verdade, do caso em testilha se extrai que a inscrição do nome do Agravado no CNIB, não trará efetivamente nenhum resultado prático para a quitação do débito, ou seja, em nada contribuirá ao resultado processual da satisfação do crédito, além de excessiva e desproporcional, isso porque, somente atingirá direito pessoal do Agravado”, diz trecho das contrarrazões.

Conforme argumentou a defensora, o credor deve comprovar que o devedor possui patrimônio para ser expropriado, e que está ocultando essas propriedades, com o intuito de não cumprir ordem judicial, o que não se verifica no caso julgado.

Em 2016, em cumprimento a um mandado de citação, expedido pela Terceira Vara Cível de Tangará da Serra, um oficial de justiça informou que não encontrou nenhum bem pertencente ao devedor.

“Ressalta-se, bem a propósito, que o Agravante não demonstrou indícios de que o Agravado mantém padrão de vida elevado e de incompatível com a suposta falta de recursos para pagamento, nem mesmo há indícios de situação que justifique a eventual inscrição do seu nome no CNIB”, pontuou a defensora.

De acordo com o STJ, há determinação de suspensão do processamento de todos os feitos e recursos pendentes que versem sobre idêntica questão e que tramitem no território nacional, nos termos do art. 1.037, II, do CPC/2015.

Com isso, o agravo de instrumento do banco contra a decisão do Juízo da 3ª Vara Cível de Tangará da Serra foi rejeitado, e o pedido da Defensoria foi acatado, por unanimidade, pela Quarta Câmara de Direito Privado do TJMT, em sessão de julgamento que ocorreu no último dia 5 de junho.

“Pelo exposto, acolho a preliminar do agravado para anular a decisão e determinar que o pedido seja reexaminado na origem após o julgamento do Tema 1.137 do STJ. Por conseguinte, não conheço o Recurso”, diz trecho do voto do desembargador Rubens de Oliveira Santos Filho, relator do caso, seguido pelos demais membros do colegiado.

Via: Defensoria Pública MT

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Liminar determina regularização do Fundo da Criança e do Adolescente

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VALE DE SÃO DOMINGOS E CONQUISTA D’OESTE

por ANA LUÍZA ANACHE

sexta-feira, 14 de junho de 2024, 14h53

A 1ª Promotoria de Justiça Cível de Pontes e Lacerda (a 448km de Cuiabá) obteve liminar favorável na Justiça para que os municípios de Vale de São Domingos e Conquista D’Oeste regularizem o Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Conforme a decisão, os municípios devem abrir conta bancária em instituição financeira oficial, cuja titularidade deve ser atribuída especificamente ao Fundo para seu efetivo funcionamento. Em caso de descumprimento da determinação, foi fixada pena de multa diária no valor de R$ 500, limitada a R$ 50 mil. 

A Ação Civil Pública (ACP) foi ajuizada em maio deste ano pela promotora de Justiça Mariana Batizoco Silva Alcântara, após tentativas de regularização dos fundos desde 2022. O Município de Vale de São Domingos encontrava-se com a situação cadastral inconsistente (“CNPJ não é de FDCA. Natureza Jurídica Incorreta”), enquanto que o de Conquista D’Oeste não possuía cadastro no Fundo do Direito da Criança e do Adolescente. Por não estarem com os fundos regulares, os municípios ficaram impossibilitados de serem contemplados com a destinação do Imposto de Renda em 2024. 

“A omissão dos entes demandados acarreta graves prejuízos à salvaguarda dos direitos individuais e coletivos da criança e do adolesceste, na medida em que ficam privados não só do seu instrumento de representação paritária junto ao Poder Público, mas também dos mecanismos de financiamento de programas e políticas públicas da área”, argumentou a promotora de Justiça, acrescentando que a propositura da ação se fez necessária para assegurar os direitos da crianças e do adolescentes dos municípios requeridos.

 


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Via: Ministério Público MT

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