Opinião

Nenhuma de nós deve ser a última da fila

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Todo mês de outubro, o mundo se tinge de rosa para lembrar de uma verdade simples e, ainda assim, difícil de incorporar na rotina: o câncer de mama, quando descoberto cedo, tem grandes chances de cura. O Outubro Rosa nasceu para disseminar essa mensagem e para enfrentar aquilo que mata tanto quanto a doença — o silêncio, o adiamento e a falta de informação. É uma campanha sobre o câncer de mama, sim, mas é, no fundo, uma campanha sobre a prioridade que damos à nossa própria saúde.

E é justamente aí que muitas mulheres falham, não por descuido, mas por excesso de cuidado com os outros. A mulher costuma ser a última da fila dentro de casa. Cuida dos filhos, dos pais, do companheiro, do trabalho, e deixa o próprio corpo para depois. Esse “depois” é perigoso. O exame que fica para o mês que vem, a consulta que se adia porque a agenda está cheia, o sinal que se ignora porque “deve ser nada”, é nesse intervalo que uma doença tratável pode se tornar grave.

Falo disso a partir de um lugar que lida todos os dias com mulheres trabalhadoras. O serviço público de Várzea Grande é feito, em boa parte, por elas: professoras, profissionais de saúde, servidoras das creches, das repartições, da ponta do atendimento à população. São mulheres que passam o dia cuidando da cidade e das famílias dos outros, e que precisam ser lembradas de que também merecem esse cuidado. Cuidar da saúde delas não é um gesto isolado de campanha: é reconhecer que por trás de cada serviço prestado há uma pessoa cuja vida importa.

Por isso enxergo o Outubro Rosa como parte da nossa responsabilidade, e não apenas como uma data no calendário. Um instituto de previdência existe para amparar o servidor ao longo de toda a vida, e saúde é a base de tudo isso. De nada adianta pensar no futuro se não cuidamos do presente. Promover informação, estimular a realização dos exames preventivos, orientar as servidoras e aposentadas sobre a importância do diagnóstico precoce: esse também é um jeito de cuidar de quem dedica a vida ao serviço público. A prevenção é, talvez, o investimento mais barato e mais valioso que existe.

É importante lembrar que o Outubro Rosa não termina quando a servidora se aposenta. Muitas vezes é exatamente nessa fase da vida que a atenção à saúde precisa ser redobrada. As nossas aposentadas, que já entregaram décadas de trabalho à cidade, merecem envelhecer com dignidade, com acompanhamento e com a tranquilidade de saber que não estão sozinhas. Cuidar delas é um compromisso que não se encerra na folha de pagamento.

Como mulher, sei que a rotina nos empurra o tempo todo para colocar as nossas necessidades em segundo plano. Mas há decisões que não podem esperar. Marcar a consulta, fazer o autoexame, procurar o posto de saúde, realizar a mamografia na idade recomendada, são gestos que levam pouco tempo e que podem salvar uma vida. E não há tarefa, por mais importante que seja, que valha mais do que a própria saúde.

O rosa deste mês é um convite ao cuidado, mas ele precisa durar o ano inteiro. Que cada servidora, cada aposentada e cada mulher de Várzea Grande entenda esse mês como um lembrete de que a sua vida vem em primeiro lugar. Da nossa parte, seguiremos reforçando essa mensagem, porque acreditamos que cuidar do servidor é muito mais do que garantir um direito no futuro, é zelar para que ele esteja bem, inteiro e com saúde para viver cada etapa da vida. Afinal, nenhuma de nós deveria ser a última da própria fila.

A prevenção salva vidas. Procure uma unidade de saúde, converse com o seu médico e não deixe os exames para depois.

*Sumaia Leite de Almeida é servidora concursada do município e presidente do Instituto de Seguridade Social dos Servidores Municipais de Várzea Grande (Previvag)



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