Opinião
O som da máquina de escrever/ Por Gabriel Novis Neves
Redação
Antigamente o ato de datilografar era quase uma profissão, fora do currículo acadêmico.
A cidade vivia cheia de escolas particulares de datilografia, com cursos de curta duração que preparavam jovens para o mercado de trabalho.
Lembro-me de uma enorme na rua Joaquim Murtinho, sempre repleta de alunos.
Eu tinha inveja de quem estudava lá.
Não sei porque meus pais nunca me matricularam em uma dessas escolas.
Em minha casa, com nove filhos, jamais houve uma máquina de escrever.
Apenas uma irmã conquistou o diploma de datilografia do Rio de Janeiro, para onde fugiu adolescente, escapando de um namoro.
Esse diploma lhe abriu portas: no retorno, conseguiu facilmente emprego como datilógrafa no governo do Estado.
Com a chegada do computador, ela já estava familiarizada com o tic-tac compassado das teclas, o que lhe facilitou voos mais altos na carreira de secretária.
Depois de adulto, tudo parece mais difícil de aprender.
Eu mesmo escrevo no computador utilizando apenas o dedo indicador da mão direita — e gasto mais tempo para realizar minhas tarefas.
Um colega de Medicina tinha curso de taquigrafia.
Funcionário do Senado Federal e primeiro aluno da turma, não comprava livros: estudava apenas por suas anotações das aulas, sempre certeiras nos exames.
Não se perdia, como nós, nos rodapés das páginas, com letras minúsculas.
Muitos dos meus companheiros de reitoria já possuíam máquina de escrever antes mesmo de ingressarem no curso superior, pois seus empregos assim exigiam.
Hoje, mesmo com um só dedo, tenho intimidade com o computador.
O tic-tac compassado das teclas transforma minhas ideias em palavras no papel.
Não escrevo minhas crônicas de madrugada — tenho o dia todo disponível.
Já os jornalistas profissionais acompanham o compassado das teclas madrugada adentro.
Nas velhas máquinas de datilografia que inutilizavam dezenas de folhas por erros de digitação, lembro-me de Nelson Rodrigues, Antônio Maria, Carlos Drummond de Andrade — escritores que também foram filhos do som metálico das teclas.
Gabriel Novis Neves é médico, ex-reitor da UFMT e ex-secretário de Estado
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