Política
Mauro Cid relata a Moraes presença de Braga Netto em reunião com militares indiciados
A presença de Braga Netto no encontro foi apontada pela Polícia Federal em relatórios da investigação. O general, porém, negava a interlocutores que tivesse recebido militares em seu apartamento em Brasília na data.
Mauro Cid disse que foi ele mesmo quem levou os tenentes-coronéis Rafael de Oliveira e Hélio Ferreira Lima para o apartamento de Braga Netto.
O ajudante de ordens de Bolsonaro deixou a reunião mais cedo, cerca de 20 minutos após a chegada, para cumprir agendas no Palácio da Alvorada. O militar apresentou a Moraes, como prova, o registro de entrada e saída do Alvorada.
A informação foi confirmada à Folha por pessoas que acompanharam o depoimento de Cid no Supremo na quinta-feira (21). Procurada, a defesa de Braga Netto ainda não se manifestou.
Segundo essas fontes, Mauro Cid disse não saber o que foi discutido na reunião com Braga Netto na reunião de 12 de novembro. Ele também afirma não saber se o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sabia do plano do general da reserva Mario Fernandes de assassinar o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e Moraes.
O tenente-coronel Mauro Cid foi para a sede do STF por volta das 13h30 de quinta-feira. Ele deixou pronta em casa uma mala com roupas, sapatos e pertences pessoais, já na expectativa de que seria preso.
A cena repetiria a vivida por Cid em março deste ano. Ele prestava depoimento no Supremo sobre áudios do militar revelados pela Revista Veja em que criticava a Polícia Federal e Moraes pela condução de sua delação premiada.
O militar soube ao fim da audiência que seria preso. Ele desmaiou ao saber da volta ao presídio, se recuperou minutos depois e foi levado para o Batalhão de Polícia do Exército, onde ficou detido.
Como a Folha mostrou, o militar esperava que a situação se repetisse na quinta. Cid, porém, prestou todos os esclarecimentos –negando, novamente, que soubesse do plano de matar autoridades.
Alexandre de Moraes considerou que Mauro Cid apresentou importantes informações e manteve válido o acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi contra a anulação da delação.
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