Saúde
Só 3 de 19 vacinas infantis atingem meta no Brasil. Entenda riscos
Os imunizantes que alcançaram a meta foram a BCG, que protege contra a tuberculose, a vacina de reforço da poliomielite e a tríplice viral, que previne sarampo, caxumba e rubéola. A expectativa do governo é que a imunização contra sarampo, rubéola e rubéola congênita chegue a 95% ainda este ano.
Queda na cobertura vacinal preocupa especialistas
Desde 2016, a , aumentando o risco de surtos de doenças imunopreveníveis, alerta a imunologista Lucia Abel Awad, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. “Se a população não se vacina, doenças como sarampo e poliomielite podem voltar a circular, comprometendo a saúde coletiva”, explica.
A imunização contra sarampo, poliomielite e tuberculose é essencial para reduzir a circulação de vírus e bactérias. “Quando a maioria da população está vacinada, garantimos a proteção coletiva, inclusive para aqueles que não podem se vacinar, como imunossuprimidos, pacientes em tratamento contra o câncer e gestantes”, explica a especialista.
A baixa adesão preocupa, especialmente em vacinas contra difteria, tétano, coqueluche e hepatite, comprometendo a proteção geral da população. Segundo Awad, a interação entre a baixa cobertura vacinal e a adesão irregular a diferentes imunizações aumenta a vulnerabilidade a surtos, especialmente de doenças respiratórias.
Impacto no atendimento pediátrico
A pediatra Tatiana Mota, da Clínica Mantelli, observa que a queda na vacinação já afeta os consultórios. “Temos registrado o reaparecimento de doenças que estavam controladas. Recentemente, atendi uma criança com coqueluche, algo que não via há anos”, relata.
Segundo ela, um dos principais fatores para essa baixa adesão é . “Muitos pais são influenciados por informações incorretas e não seguem corretamente o calendário vacinal. Além disso, há uma tendência de substituir consultas regulares pelo pronto-atendimento, o que prejudica a prevenção”, pontua.
Como reverter a queda na cobertura vacinal?
Para melhorar os índices de imunização, especialistas destacam a importância de combater a desinformação e facilitar o acesso às vacinas. Tatiana ressalta que é fundamental divulgar informações confiáveis. “Nos consultórios e redes sociais, buscamos orientar os pais sobre a importância das vacinas”, diz.
A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, reforça que, embora a confiança na vacinação ainda seja alta, notícias falsas e barreiras logísticas dificultam a adesão. “A hesitação vacinal tem crescido devido à desinformação. Isso não acontece só no Brasil, mas em todo o mundo”, afirma.
Uma das estratégias para ampliar a cobertura é levar as vacinas para mais perto da população. “Muitos pais não conseguem sair do trabalho para vacinar os filhos. Por isso, a é uma ferramenta essencial. Ela elimina barreiras logísticas e reduz a hesitação vacinal ao tornar o processo mais acessível”, destaca Ballalai.
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