Judiciario
Lobista contrata novo advogado, que descarta delação premiada
O lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, preso desde novembro sob suspeita de liderar um esquema de compra de decisões de assessores do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e de outros tribunais, constituiu um novo advogado para comandar sua defesa e sinalizou que não pretende buscar um acordo de delação premiada.

Estamos nos juntando à defesa para ficarmos à frente de tudo, conforme procuração outorgada
O novo advogado é Eugênio Pacelli de Oliveira, ex-procurador do Ministério Público Federal e jurista conhecido por obras de direito processual penal. Ele irá coordenar a defesa de Andreson, acompanhado do advogado criminalista Luís Henrique Prata, que já estava na causa desde a prisão do lobista.
A procuração em nome dos dois advogados já foi protocolada junto ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin, relator dos inquéritos do caso.
Ao UOL, Pacelli afirmou que pretende atuar na defesa técnica e que não há intenção de negociar uma delação.
“Estamos nos juntando à defesa para ficarmos à frente de tudo, conforme procuração outorgada. Não pensamos em delação, nem como alternativa”, disse o advogado.
Os advogados de outros escritórios que também atuavam para o lobista e defendiam, nos bastidores, que ele buscasse uma delação agora ficam de fora do caso.
Atualmente, Andreson está detido na penitenciária federal em Brasília. Nas últimas semanas, sua defesa fez diversos pedidos para que o lobista tenha acesso a atendimento médico no presídio e apontou fragilidade em seu estado de saúde. O STF, entretanto, negou os pedidos de liberdade que foram apresentados desde a prisão do lobista.
Ele foi preso em novembro por ordem do ministro Cristiano Zanin, que o descreveu como líder de um esquema de compra de decisões judiciais. A Polícia Federal encontrou diálogos de Andreson com um advogado assassinado, Roberto Zampieri, nos quais o lobista compartilhava minutas antecipadas de decisões de ministros do STJ que só seriam proferidas posteriormente. Ele citava ter relações com assessores dos gabinetes e dizia ter capacidade de influenciar as decisões dos ministros por meio deles.
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