Política
Deputado quer direita produzindo cinema e literatura conservadora
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) quer ampliar a produção de filmes, séries, desenhos, livros e outros conteúdos com mensagens da direita. Em entrevista ao UOL, o parlamentar disse ver o entretenimento de massa como próximo campo de batalha para enfrentar a esquerda.
Eduardo Bolsonaro prega que a direita deve produzir projetos com seus próprios valores. Ele considera este caminho mais eficaz do que ficar brigando com deputados e senadores de esquerda no Congresso Nacional, que hoje já tem maioria conservadora.
O raciocínio do deputado é de que a esquerda embute suas bandeiras no lazer das pessoas, com produções de grandes estúdios internacionais. Ele cita como exemplo séries que tratam de temas como o aborto.
Para ele, ao tratar a interrupção da gravidez como fato corriqueiro, os diretores normalizam a agenda da esquerda. O mesmo se aplicaria às demais bandeiras progressistas, como a questão das drogas e relacionamentos de pessoas do mesmo sexo.
Eduardo Bolsonaro define a produção de entretenimento como uma ferramenta de soft power. Este conceito significa a capacidade de influenciar comportamentos sem emprego da força, mas usando meios culturais ou ideológicos.
“Enquanto a gente fica discutindo aqui o banheiro do transexual, a esquerda vai lá em Hollywood e está criando o desenho animado da Disney. Para mim, essa é a pauta prioritária”, disse Eduardo Bolsonaro, sobre o uso da cultura para expor valores e ideologia. “Isso está normalizando algo que nós abominamos. Esse conta-gotas dentro do cinema fica na memória”.
Filmes de direita com nova roupagem
Ver a cultura como ferramenta não é algo novo, mas para Eduardo, a direita deve se expor de uma maneira diferente. Na avaliação do deputado, filmes à moda antiga, com um galã rodeado de mulheres salvando o mundo, estão em desuso.
Ele citou “Top Gun: Maverick’, produção que segue esta lógica e, de acordo com ele, foi criticado por não ter bandeiras progressistas. Para Eduardo, as mensagens devem ser mais claras.
O deputado diz ter consciência de que sua sugestão vai enfrentar resistência de estúdios e editoras. Por isso, afirma que é preciso a direita formar o próprio público e ter canais próprios para não depender dos meios de comunicação.
Modelo a ser seguido
Na visão de Eduardo, o modelo a ser seguido já está pronto: o “Brasil Paralelo”. O grupo sediado em Porto Alegre produz conteúdos que se aproximam aos valores da extrema direita e define sua atuação como uma forma de “resgatar os bons valores, ideias e sentimentos no coração de todos os brasileiros”.
O “Brasil Paralelo” entrega conteúdos que Eduardo Bolsonaro considera adequados por meio de diferentes formatos. Há filmes, documentários, séries, desenhos, artigos e humor.
Existe ainda um site de notícias, com links de aulas de história e artigos. Em um deles, o vereador de São Paulo Fernando Holiday (PL) diz que tratar os negros como vítima diminui a responsabilidade individual.
O grupo tem 3,8 milhões de inscritos no YouTube. Nas redes sociais, são 5 milhões de seguidores somando Instagram, Facebook, TikTok e X. Em seu Manual Editorial, o Brasil Paralelo informa que “é uma empresa apartidária, laica e tem como único comprometimento a busca honesta pela verdade”.
Não é só Eduardo que está de olho na cultura como ferramenta para a direita. Aliados conservadores também defendem a produção de entretenimento conservador. Ao UOL, O pastor Silas Malafaia declarou que todo instrumento educativo é válido.
Lider da Minoria na Câmara, a deputada Bia Kicis (PL-DF) concorda que a transmissão de valores via filmes, séries e livros deve ser prioridade da direita. Ela chama esta disputa de guerra cultural e explica que sua definição corresponde a transmitir a ideologia de forma sutil e como pano fundo de tramas.
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