Opinião
As janelas que conversavam com as ruas/ Gabriel Novis Neves
Redação
Certa ocasião, conversando com um professor e escritor da nossa universidade, ele me disse que precisávamos dialogar com as ruas.
Quis dizer que a universidade deve compartilhar seus saberes com todos.
Respondi-lhe que, em Cuiabá, as janelas sempre conversaram com a rua.
O lar não foi feito para guardar segredos: as novidades eram socializadas pelas janelas.
Elas falavam com a rua — e todos lucravam com isso.
Muitos saberes a rua também trazia até nós, pelas janelas.
Os casarões cuiabanos possuíam duas portas de entrada: a da frente e a dos fundos, que dava para outra rua, por onde entravam os escravos.
Esse portão, cercado de muros, não dialogava com a rua.
Já a porta da frente era acompanhada de várias janelas, sempre com ‘plantonistas’ que conversavam com os que passavam pela calçada.
O historiador Estevão de Mendonça raramente deixava a janela do seu quarto.
Dela contava e ouvia histórias, matéria-prima de sua obra.
A casa de Bem Bem tinha inúmeras janelas, sempre ocupadas por moradores prontos a repassar novidades às ruas.
Muita gente, inclusive, buscava suas calçadas para prosear com aqueles que estavam à janela.
As janelas dos antigos casarões cuiabanos eram verdadeiras salas de visitas.
Eu mesmo frequentei muito as janelas da minha casa, na rua do Campo.
Esperava meu pai chegar do bar com sacolas de pão fresco para o lanche e o jornal do dia, vindo do Rio de Janeiro.
Da janela, sondava meus vizinhos namoradeiros e ficava sabendo quem frequentava o Clube Feminino, o chique da época.
Quem estava à janela, às vezes chamava quem caminhava do outro lado da calçada para um rápido bate-papo.
Conheci personalidades históricas de Mato Grosso da janela da minha casa, por ocasião das reuniões festivas na Academia Mato-Grossense de Letras e no Instituto Histórico e Geográfico.
Numa cidade em que todos eram autoridades, fiquei conhecendo-os assim: da janela de minha casa.
Hoje, as janelas se acabaram e a cidade já não conversa com a rua, criando uma geração de desconhecidos e estranhos.
Gabriel Novis Neves é médico, ex-reitor da UFMT e ex-secretário de Estado
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