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MPE pede investigação contra delegado por falso testemunho

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O pedido foi formalizado em ofício encaminhado nesta semana pelos promotores de Justiça Samuel Frungilo, Rodrigo Ribeiro Domingues, Élide Manzini de Campos e Vinicius Gahyva Martins, do Núcleo de Defesa da Vida. 

 

A morte de Thiago Ruiz ocorreu no dia 27 de abril de 2023, dentro da conveniência localizada em um posto de combustível em frente à Praça 8 de Abril, na Capital.

 

No documento, o MPE sustenta que o delegado apresentou versões consideradas incompatíveis com as provas do processo e teria atuado para favorecer o ex-investigador da Polícia Civil Mário Wilson da Silva Gonçalves, condenado pela morte do PM em júri realizado no início do mês. 

 

Conforme o ofício, Bertoli afirmou em depoimentos prestados no processo e durante o julgamento que foi avisado pelo ex-investigador, que era seu subordinado na época,  de que havia “matado um noiado”. O delegado relatou ainda que chegou rapidamente ao local do crime, antes mesmo da Polícia Militar, e que encontrou “papelotes de droga” próximos ao corpo da vítima.

 

Segundo o Ministério Público, porém, essa versão não aparece em nenhum documento oficial da investigação. O órgão afirma que não houve apreensão de drogas no local, nem registro da suposta informação em boletins de ocorrência, laudos periciais, relatórios policiais ou depoimentos de testemunhas.

 

As atendentes ouvidas pela Polícia Civil, conforme o documento, relataram apenas que a Polícia Militar chegou minutos após os disparos. Uma delas mencionou ter visto um “pó branco” misturado a vidros quebrados, mas sem afirmar que pertencia à vítima ou que alguém estivesse usando drogas.

 

O MPE também aponta que Bertoli declarou ter repassado as informações sobre os supostos entorpecentes aos delegados responsáveis pela investigação e à Corregedoria da Polícia Civil. Entretanto, de acordo com os promotores, os próprios delegados negaram em plenário ter recebido essas informações.

 

Outro trecho do ofício destaca que, embora tenha afirmado ser a primeira autoridade policial a chegar à cena do crime, Bertoli não teria adotado medidas para preservar o local nem apreender a suposta droga. Em vez disso, segundo o Ministério Público, ele foi ao encontro do investigador acusado e o apresentou posteriormente à Delegacia de Homicídios (DHPP), acompanhado de advogado.

 

Para os promotores, o delegado extrapolou suas atribuições ao apresentar opiniões pessoais sobre o caso e construir uma versão paralela à investigação oficial conduzida pela DHPP e pela própria Corregedoria da Polícia Civil. 

 

O Ministério Público afirma ainda que Bertoli não integrava a equipe responsável pela apuração do homicídio e utilizou a autoridade do cargo para dar credibilidade a informações sem respaldo probatório, em depoimentos que teriam sido direcionados ao favorecimento do subordinado.

 

 

 





Fonte: Mídianews

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