Judiciario
Seria importante executor fazer algumas revelações, diz advogado
O advogado Walmir Cavalheri, que atua como assistente de acusação no caso do assassinato do advogado Renato Nery, afirmou que seria importante que o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva fizesse revelações durante o Tribunal do Júri para esclarecer pontos da investigação que ainda permanecem sem resposta.
O júri popular é realizado nesta quarta-feira (15), no Fórum de Cuiabá.

A acusação está preparada para que ele não consiga assumir sozinho
Alex é apontado pelo Ministério Público Estadual (MPE) como o autor dos disparos que mataram o advogado em frente ao escritório dele, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em julho de 2024.
“Seria importante que ele fizesse algumas revelações. Isso poderia até abrandar a quantidade de pena que ele certamente vai levar”, afirmou.
Segundo o advogado, a expectativa é de que o executor receba uma pena de até 25 anos de prisão.
O advogado disse que a investigação revelou que Alex recebeu cerca de R$ 110 mil pela execução, embora a promessa fosse de um pagamento total de R$ 200 mil.
“Os valores praticamente estão comprovados nos autos. Ele recebeu em torno de R$ 110 mil e a promessa era de R$ 200 mil para o atirador”, disse.
Cavalheri afirmou ainda que a investigação não encontrou indícios de outros pagamentos além dos já documentados.
Não agiu sozinho
Questionado sobre a possibilidade de Alex assumir sozinho a autoria do crime, o advogado afirmou que essa tese não encontra respaldo nas provas reunidas durante a investigação.
Segundo ele, não há qualquer elemento que demonstre contato direto entre o executor e os supostos mandantes do homicídio.
“A acusação está preparada para que ele não consiga assumir sozinho, mesmo porque não existe nenhuma comprovação de que ele teve qualquer contato com os mandantes”, afirmou.
Reprodução

O advogado Renato Nery, morto em frente ao seu escritório em Cuiabá
Ainda conforme Cavalheri, os recursos apresentados pelas defesas dos demais denunciados impedem qualquer previsão para os próximos julgamentos.
“Todos têm algum tipo de recurso. A gente sabe como funciona: Tribunal de Justiça, STJ, Supremo. Não sabemos até onde as defesas tentarão ir”, disse.
Crime por disputa de terras
O julgamento de Alex Roberto de Queiroz Silva começou na manhã desta quarta-feira (15), no Fórum de Cuiabá. Ele é o primeiro dos seis denunciados pela morte de Renato Nery a ser submetido ao Tribunal do Júri.
Segundo a denúncia do Ministério Público, Renato Nery foi assassinado porque sua atuação em uma disputa judicial envolvendo uma propriedade rural em Novo São Joaquim contrariou interesses econômicos do casal Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi, apontados como mandantes do homicídio.
A investigação sustenta que, para viabilizar o crime, o casal contratou os policiais militares Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira, responsáveis por organizar a execução, recrutar o atirador, intermediar os pagamentos e fornecer a arma utilizada no homicídio.
Além de Alex, Julinere, César e os três policiais militares permanecem presos preventivamente e também responderão por homicídio qualificado perante o Tribunal do Júri.
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