Polícia
Empresário tenta matar os filhos com faca em Cuiabá e Justiça impõe medidas protetivas
Conteúdo/ODOC – O juiz Francisco Alexandre Ferreira Mendes Neto, do Plantão Criminal de Cuiabá, determinou que o empresário Lourivaldo Bernardino mantenha distância da própria filha, Camila Mineiro Bernardino, após denúncias de ameaças e violência doméstica. A companheira dele, Diana Tavares Ramos, também foi alvo de restrições.
A decisão foi proferida nesta terça-feira (8), depois de Lourivaldo ser acusado de tentar esfaquear o próprio filho e, na sequência, investir contra Camila, supostamente com a intenção de matá-la. O episódio ocorreu nas dependências da Laprotec Serviços Gerais de Meio Ambiente, empresa da família que está em recuperação judicial.
Com a decisão, Lourivaldo deverá permanecer a pelo menos mil metros de Camila, de familiares dela e de testemunhas. Ele também está impedido de frequentar o condomínio onde a filha reside ou qualquer outro local em que ela esteja.
O magistrado ainda proibiu o empresário de entrar em contato com Camila, familiares e testemunhas por qualquer meio, incluindo ligações telefônicas, aplicativos de mensagens e redes sociais. A vítima também deverá receber um botão do pânico.
Diana, por sua vez, foi proibida de manter qualquer tipo de contato com Camila, seus familiares e testemunhas.
Confusão na empresa
De acordo com o boletim de ocorrência, a confusão que motivou o pedido de proteção aconteceu por volta das 9h de terça-feira, dentro da empresa da família.
Camila relatou à Polícia Civil que presenciou o pai tentando esfaquear o irmão. Logo depois, segundo ela, Lourivaldo teria partido em sua direção também com a intenção de “matá-la”.
Uma funcionária da empresa também teria sido agredida durante o episódio.
À polícia, Camila afirmou que os conflitos não começaram nesta semana e relatou um histórico de ameaças, intimidações e constrangimentos que atribui ao pai.
Segundo a vítima, Lourivaldo a pressionaria a contratar empréstimos, assinar documentos e fazer transferências financeiras, sob ameaças de deixá-la “sem nada”.
Camila também acusou o pai e Diana de ameaçá-la e proferir ofensas contra ela. Em uma das situações relatadas à polícia, Lourivaldo teria dito que “vai exterminar a geração inteira”.
Ainda conforme o depoimento, a sequência de ameaças teria causado forte abalo emocional durante a gravidez de Camila, período em que ela teve um parto prematuro.
Sobre Diana, Camila afirmou que as duas vivem no mesmo condomínio e, por isso, costumam se encontrar nas áreas comuns. Nesses momentos, segundo relatou, seria alvo de constrangimentos praticados pela companheira do pai.
Ao conceder as medidas protetivas, Francisco Alexandre considerou que os elementos apresentados, somados à gravidade das acusações, indicavam a necessidade de proteção imediata.
O magistrado também destacou que o episódio está inserido em um contexto de sucessivos conflitos familiares envolvendo a administração das empresas.
“Além da gravidade do episódio descrito no B.O., envolvendo o delito de tentativa de homicídio, o caso envolve uma empresa da família, onde há constantes desentendimentos entre o genitor e filhos na administração”, afirmou.
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