Política
“É ruim; só tenho a lamentar”, diz Mendes sobre afastamentos
O governador Mauro Mendes (União) admitiu que é “ruim” para o Judiciário mato-grossense o afastamento de dois desembargadores por conta de um suposto esquema de venda de sentenças, apesar de não ter conhecimento dos fatos.

“Eu não tenho ainda conhecimento dos fatos. Eu só tenho a lamentar
“Independente do contexto, claro que é ruim. Entretanto, não dá para emitir opinião sem conhecer o contexto”, disse.
Os desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho foram afastados na quinta-feira (1º) por uma decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O caso veio à tona a partir da apreensão do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado a tiros em frente ao seu escritório no ano passado em Cuiabá. A decisão do CNJ está sob sigilo.
Mendes disse lamentar o afastamento dos magistrados e ressaltou que não irá emitir opinião sobre o caso, por enquanto.
“Eu não tenho ainda conhecimento dos fatos. Eu só tenho a lamentar. Entretanto, não posso ainda me pronunciar, porque eu não conheço os fatos, as circunstâncias e preciso tê-lo para que eventualmente tenha alguma opinião a respeito”, disse.
O caso
Além do afastamento, o corregedor do CNJ, Luis Felipe Salomão, determinou a quebra de sigilo bancário e fiscal dos dois magistrados nos últimos cinco anos.
A medida, segundo a decisão, também se estende aos servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Eles, no entanto, não foram identificados.
Segundo o corregedor, há suspeitas de que os magistrados mantinham “amizade íntima” com o advogado e decidiam processos patrocinados por ele. A suspeita é de que havia um conluio entre eles o advogado Roberto Zampieri.
“As investigações acenam para um cenário de graves faltas funcionais e indícios de recebimento de vantagens indevidas”, afirma o corregedor.
Agora, os desembargadores terão vista dos autos e poderão, se quiserem, apresentar defesa prévia à eventual abertura de Processo Administrativo Disciplinar, no prazo de 15 dias.
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