Judiciario
Delegado da PF revela ameaça de fazendeiro contra desembargador
O delegado da Polícia Federal Marco Bontempo, responsável pelas investigações do “celular bomba” do advogado Roberto Zampieri, afirmou que mensagens encontradas no aparelho revelam que o desembargador Sebastião de Moraes Filho relatou ter sido ameaçado pelo fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo, apontado como suposto mandante do homicídio.

O desembargador relata que teria havido um contato com o Aníbal e que o Aníbal estava ameaçando ele em relação a um processo
A declaração foi feita nesta terça-feira (28), durante o julgamento de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusados de participação na execução do advogado, em 2023, em Cuiabá.
Segundo o delegado, a Polícia Federal identificou, durante a análise do conteúdo extraído do celular de Zampieri, conversas entre o advogado e o desembargador Sebastião de Moraes Filho.
Nas mensagens, conforme relatou Bontempo, o magistrado declarou a Zampieri que Aníbal Manoel Laurindo o teria ameaçado, alegando possuir provas ou imagens que poderiam comprometê-lo.
“O desembargador relata que teria havido um contato com o Aníbal e que o Aníbal estava ameaçando ele em relação a um processo, afirmando que tinha provas ou imagens que poderiam comprometer o desembargador Sebastião”, declarou o delegado. .
Ainda de acordo com Marco Bontempo, Sebastião de Moraes confidenciou a Zampieri que temia a divulgação desse material. Após essa conversa, o magistrado se declarou suspeito para atuar em um processo envolvendo Aníbal.
O delegado afirmou ainda que Roberto Zampieri criticou a decisão do desembargador de se declarar suspeito.
“Dias depois, o desembargador Sebastião dá uma decisão se declarando suspeito, e o Zampieri até se manifesta contrário a essa alegação de suspeição do desembargador”, afirmou Bontempo, sem dar detalhes do processo em questão.
Depósito de R$ 200 mil

Esse foi o indicativo de uma parte do pagamento que o Caçadini recebeu, possivelmente em razão da execução do Zampieri
Durante o depoimento, Marco Bontempo também destacou a relação entre o coronel reformado Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e o empresário Aníbal Manoel Laurindo. Segundo ele, os dois mantinham contato frequente, chegaram a se encontrar em Cuiabá e até publicaram registros do encontro nas redes sociais.
Ainda segundo o delegado, a Polícia Federal encontrou na agenda do coronel reformado uma anotação indicando uma viagem a Cuiabá para receber uma quantia em dinheiro. Conforme o delegado, o registro é datado de 21 de dezembro de 2023, cerca de duas semanas após o homicídio.
“Após a execução do crime, tem uma anotação na agenda do Caçadini, acho que é do dia 21 de dezembro, em que ele escreve: ‘Cuiabá apanhar o dinheiro'”, afirmou.
Segundo Bontempo, a Polícia Federal cruzou essa informação com dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e identificou que, na mesma data, Caçadini realizou um depósito em espécie de R$ 60 mil em Rondonópolis, cidade onde reside Aníbal Manoel Laurindo.
“Quando pedimos o intercâmbio das informações com o Coaf, foi identificado que o Caçadini fez um depósito em espécie de R$ 60 mil em Rondonópolis”, disse.
Para o delegado, o depósito é um indício de que o valor pode estar relacionado ao pagamento pela execução do advogado.
“Esse foi o indicativo de uma parte do pagamento que o Caçadini recebeu, possivelmente em razão da execução do Zampieri”, concluiu.
Ainda durante o depoimento, o delegado Marco Bontempo detalhou a relação entre Hedilerson Fialho Martins Barbosa, Antônio Gomes da Silva e o coronel Luiz Caçadini de Vargas, a partir de imagens e capturas de tela encontradas na galeria do celular de Hedilerson.
Segundo o delegado, o material apreendido comprova as tratativas para a execução do homicídio e aponta Hedilerson como intermediário entre o executor e o financiador do crime.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Caçadini é apontado como o financiador do assassinato de Roberto Zampieri. Hedilerson Fialho Martins Barbosa teria atuado como intermediário entre os mandantes e o executor, enquanto Antônio Gomes da Silva confessou ter efetuado os dez disparos que mataram o advogado.
Segundo as investigações, o homicídio foi motivado por uma disputa envolvendo a Fazenda Lagoa Azul, em Paranatinga, avaliada em cerca de R$ 100 milhões.
Além de Aníbal, a esposa dele, Elenice Ballarotti Laurindo também é apontada como mandante do crime.
Veja vídeo:
Leia mais:
Delegado: telefonemas, pesquisa e fotos ligam coronel ao crime
“O coronel é um preso político; nós vamos provar sua inocência”
Réus do caso que abalou Judiciário de MT vão a júri nesta terça
-
Várzea Grande7 dias agoVárzea Grande registra inadimplência de 67,85% no IPTU em 2026; veja onde buscar atendimento
-
Saúde6 dias agoIBGE acionará PF e AGU contra fake news sobre pesquisa de saúde
-
Cidades5 dias agoAniversário de Sinop reúne milhares de pessoas no Gigante do Norte durante gravação do DVD de Wesley & Conrado
-
Cidades6 dias agoAgueros conquista a Copa Inside 2026 com goleada na final
-
Opinião6 dias agoO varejo não quebrou, mas a cabeça do cliente mudou
-
Judiciario6 dias agoJustiça aceita recuperação de frigorífico com passivo de R$ 29 milhões em MT
-
Saúde6 dias agoAssédio e sobrecarga ameaçam saúde mental de jornalistas, diz pesquisa
-
Entretenimento7 dias agoYudi Tamashiro leva filho de um ano para o Rock in Rio: ‘Yudinho curtiu cada momento’
