Mato Grosso
Desembargador ‘revirou’ casa antes da PF conseguir entrar
O desembargador afastado João Ferreira Filho e sua esposa, Maria de Lourdes Guimarães Filha, tentaram enganar agentes da Polícia Federal durante a primeira fase da Operação Sisamnes. Em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), os agentes relataram que o casal fingiu não estar em casa ao ouvir os policiais chamarem. Batemos na casa do desembargador João Ferreira Filho, tocamos a campainha, mas ninguém atendeu. Chamamos um chaveiro e, ao entrar, encontramos ele e a esposa sentados na cama, com os armários todos abertos e revirados, descreveu a PF.
Em 26 de novembro, João Ferreira recebeu uma segunda decisão de afastamento do cargo. Na última sexta-feira (20), a segunda fase da operação foi deflagrada, ampliando as investigações contra seus familiares. Maria de Lourdes, servidora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), e Alice Terezinha Artuso, enteada do magistrado, foram alvos de busca e apreensão. Ambas são acusadas de participação na ocultação de bens e lavagem de dinheiro provenientes do esquema de venda de sentenças.
As investigações apontam que Maria de Lourdes e Alice agiram como laranjas na ocultação de bens. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelaram movimentações financeiras suspeitas, incluindo pagamentos para empresas ligadas ao desembargador. Alice aparece em ligações do celular do advogado Roberto Zampieri, sócio de uma empresa que teria feito repasses no valor de R$ 1,8 milhão em benefício de João Ferreira. Entre as transações identificadas, Alice pagou R$ 25 mil como parcela de uma motocicleta Harley Davidson e R$ 275 mil para uma empresa imobiliária.
Além disso, o Coaf detectou sucessivas aquisições e vendas de imóveis realizadas em nome do magistrado e de sua esposa, mesmo após seu afastamento. Maria de Lourdes, que também está proibida de acessar o prédio do Tribunal ou os sistemas judiciais, entregou seu passaporte e está impedida de deixar o país.
Alice, ex-assessora do TJ-MT na gerência de controle e arrecadação em 2013, atualmente ocupa um cargo na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, onde recebe um salário de R$ 9.311,76. A reportagem tentou contato com o advogado de João Ferreira, Rodrigo Mudrovitsch, mas não obteve resposta.
A Operação Sisamnes ganhou força em agosto, quando João Ferreira Filho e o desembargador Sebastião de Moraes Filho foram afastados de suas funções no TJ-MT por suspeitas de envolvimento em vendas de decisões judiciais.
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