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Gaeco: cerealista e empresário liderariam esquema de R$ 140 mi

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A representação apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual (MPE), que deu origem à Operação Safra Desviada, aponta a empresa Sagel Comércio de Cereais, com atuação em Sorriso, e o empresário Felipe Faccio como peças relevantes em um suposto esquema estruturado de desvio de grãos no estado. O prejuízo estimado é de R$ 140 milhões. 

 

Há indícios da atuação de organização estruturada, com divisão de funções entre núcleo interno e externo

Durante o cumprimento de mandados judiciais, em fevereiro, investigadores localizaram mais de 37 mil toneladas de soja armazenadas em estruturas da empresa, volume que passou a integrar as apurações.

 

O documento, que fundamentou os pedidos de busca e apreensão e outras medidas cautelares, descreve a existência de uma organização com divisão de funções e atuação coordenada entre diferentes núcleos.

 

Segundo a peça, “há indícios da atuação de organização estruturada, com divisão de funções entre núcleo interno e externo, voltada ao desvio e à posterior comercialização de grãos”.

 

De acordo com a representação, o esquema teria como base a manipulação de controles internos de produção e estoque, permitindo a retirada de parte da safra sem registro formal. Conforme descrito no documento, “os investigados estruturaram um sistema de desvio de grãos mediante manipulação de registros internos, com a finalidade de ocultar parte da produção e inseri-la em operações comerciais aparentemente regulares”.

 

A peça também detalha a dinâmica operacional que, segundo o Gaeco, teria sido utilizada para dar aparência de legalidade às cargas desviadas. “O modus operandi consistia na inserção de cargas não contabilizadas em embarques formais destinados a tradings, dificultando a identificação do volume efetivamente desviado”, aponta o texto.

 

Nesse contexto, a empresa Sagel e o empresário Felipe Faccio aparecem vinculados ao chamado núcleo externo da estrutura investigada, responsável pela absorção e circulação dos produtos. 

 

A representação menciona que empresas ligadas ao empresário, como a Agrícola Faccil, teriam participação recorrente nas operações analisadas. “Empresas vinculadas a Felipe Faccio aparecem de forma recorrente nas operações investigadas, integrando fluxos logísticos nos quais se identificou a inserção de cargas não registradas”, descreve o documento.

 

Outro ponto destacado na investigação diz respeito à forma de transporte das cargas. Segundo o Gaeco, caminhões utilizados nessas operações apresentariam divergências entre o peso real transportado e o declarado nas notas fiscais.

 

“Verificou-se que caminhões saíam carregados com peso superior ao declarado nas notas fiscais, sendo registrado apenas o limite permitido, de modo que o excedente circulava sem documentação correspondente”, aponta a representação.

 

A Sagel também é citada diretamente em relação a esse tipo de operação. Conforme o documento, “em operações envolvendo a empresa Sagel, constatou-se a prática de carregamento acima do peso legal, com emissão de notas fiscais contendo apenas o peso permitido, ocultando a diferença”.

 

Em nota, a defesa da Sagel Comércio afirma que a empresa não é objeto de qualquer medida constritiva ou investigativa que recaia sobre suas operações, conforme reconhecido pelo Poder Judiciário.

 

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Fonte: Mídianews

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