Judiciario
Juíza confirma nova data de júri de investigador após confusão
A juíza Mônica Catarina Perri, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, marcou para o dia 12 de maio, às 9h, o novo júri popular do investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, acusado de matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz, em 2023.
A confirmação foi publicada nesta terça-feira (29) no site do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Mário Gonçalves responde por homicídio qualificado, com agravantes de motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele está solto desde setembro de 2023.
A remarcação ocorreu após uma confusão envolvendo a magistrada e os advogados do réu durante o júri realizado em dezembro do ano passado.
Na ocasião, a juíza mandou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) “se danar”, o que gerou repercussão e levou à suspensão do julgamento.
O Tribunal de Justiça e o Ministério Público Estadual (MPE) saíram em defesa da magistrada. A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos afirmou que os advogados Cláudio Dalledone e Renan Canto teriam provocado a situação de forma intencional, com o objetivo de anular o júri.
Após o episódio, a defesa do investigador tentou afastar a juíza da condução do novo julgamento. Alegou que ela teria demonstrado “protagonismo judicial exacerbado”, além de violar a paridade de armas e expor publicamente a defesa durante a sessão. O pedido, no entanto, foi negado.
A magistrada sustentou que sua atuação se limitou à condução regular dos trabalhos.
“Também não há que se falar em expressões supostamente ofensivas: as manifestações desta magistrada limitaram-se ao necessário controle da ordem e da disciplina em plenário. Eventuais apartes ou observações feitas durante momentos de acaloramento processual não tiveram cunho pessoal ou ofensivo, mas apenas objetivaram restabelecer o equilíbrio e a serenidade indispensáveis ao julgamento popular”, afirmou à época.
O caso
O caso ocorreu em 27 de abril de 2023, dentro da loja de conveniência de um posto de combustível localizado em frente à Praça 8 de Abril, em Cuiabá.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o investigador e um amigo foram até uma loja de conveniência, onde encontraram uma terceira pessoa que apresentou a vítima aos dois. Durante a conversa, houve desconfiança mútua sobre a condição policial de ambos.
Segundo o MPE, Thiago levantou a camisa para mostrar uma cicatriz, momento em que Mário visualizou o revólver que ele trazia na cintura e se apossou da arma, afirmando que chamaria a polícia para averiguar a situação.
“Nesse ínterim, sacou da pistola que trazia consigo e apontou em direção a Thiago, após o que voltou a arma para a cintura, permanecendo com o revólver da vítima em mãos”, diz a denúncia.
Na sequência, conforme o MPE, a vítima tentou recuperar o revólver, ocasião em que os dois entraram em luta corporal e caíram no chão. Durante a confusão, testemunhas tentaram separá-los, mas Thiago acabou sendo atingido por vários disparos efetuados pelo investigador.
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