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Juíza se declara suspeita e deixa ação contra executor de Nery

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A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, declarou suspeição por foro íntimo e deixou a condução do processo contra Alex Roberto de Queiroz Silva, réu confesso pelo homicídio do advogado Renato Nery, ocorrido em julho de 2024, na Capital.

 

Considerando que se trata de processo conexo declaro a minha suspeição para atuar neste processo, por motivo de foro íntimo

O despacho foi assinado no último dia 23 de março. O caso deverá ser repassado para o juiz substituto.

 

Na decisão, a magistrada informou que já havia se declarado suspeita para atuar em outro processo relacionado ao caso, envolvendo o policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, também réu confesso pelo homicídio, apontado como articulador da ação criminosa.

 

“Sendo assim, considerando que se trata de processo conexo, nos termos do artigo 99 do CPP, declaro a minha suspeição para atuar neste processo, por motivo de foro íntimo”, escreveu. 

 

A suspeição por foro íntimo não exige a exposição detalhada dos motivos do afastamento.

 

Alex Silva foi pronunciado ao Tribunal do Júri em agosto de 2025 por homicídio qualificado, com agravantes de promessa de recompensa, perigo comum, dificuldade de defesa da vítima, idade avançada da vítima e participação em organização criminosa.

 

Segundo a investigação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Cuiabá (DHPP), ele teria executado o crime a pedido do policial militar Heron Vieira. 

 

No dia 16 de março, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) determinou que Alex Roberto também seja julgado pelos crimes conexos de fraude processual majorada e abuso de autoridade.

 

No acórdão, o TJ-MT afastou o entendimento de que a imputação de abuso de autoridade seria improcedente apenas pelo fato de Alex não ocupar cargo público, e destacou que a acusação aponta atuação em concurso com agente estatal. 

 

No caso da fraude processual, o tribunal concluiu que a destruição das roupas e do capacete usados por Alex Roberto no dia do assassinato são indícios suficientes para que essa imputação também seja apreciada pelo Conselho de Sentença, responsável pela avaliação definitiva sobre a existência de dolo e as circunstâncias do fato.

 

Reprodução

Alex Roberto de Queiroz Silva

Alex Roberto de Queiroz Silva, que confessou ter sido o executor do advogado Renato Nery

A encomenda

 

A investigação da DHPP revelou que o casal de empresários Julinere Goulart Bentos e César Jorge Sechi travavam uma batalha judicial por anos com o advogado Renato Nery. O processo envolvia a reintegração de posse da área que o advogado recebeu como pagamento de honorários advocatícios de ação em que atuou por mais de 30 anos.

 

Meses antes de ser assassinado, Nery havia ganhado uma ação no processo que bloqueou o arrendamento de mais de R$ 2 milhões da propriedade, o que teria sido o estopim para seu assassinato.

 

Assim, o casal teria contratado o PM Jackson Pereira Barbosa, vizinho de condomínio em Primavera do Leste, para que ele intermediasse o crime. A promessa de pagamento aos executores, segundo as investigações, foi de R$ 200 mil.

 

Dessa forma, Jackson teria feito a ponte com o também PM Heron Teixeira Pena Vieira, que por sua vez foi o responsável por “alugar” o serviço de pistolagem de Alex Silva, que foi seu caseiro em uma chácara no bairro Capão Grande, em Várzea Grande, durante o planejamento do homicídio e depois, onde ficou escondido.

 

Segundo revelado pela Polícia, o valor combinado pelo crime não foi pago, o que gerou desagrado entre os envolvidos e resultou na confissão de Heron em depoimento aos investigadores, dias antes da prisão dos supostos mandantes.

 

Além de Julinere Bentos, César Sechi, Jackson Barbosa, Heron Vieria e Alex Silva, também é réu pelo homicídio o policial militar Ícaro Ferreira, acusado de entregar a pistola utilizada no crime. Todos estão presos. 

 

O crime

 

Ex-presidente da OAB-MT, Renato Nery foi atingido por um disparo na cabeça no dia 5 de julho de 2024, quando chegava em seu escritório na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá. 

 

Socorrido com vida, ele foi levado às pressas para o Complexo Hospitalar Jardim Cuiabá, onde passou por cirurgias, mas não resistiu e morreu no dia seguinte.

 

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Fonte: Mídianews

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