Judiciario
Mãe, filho e mais um são julgados; delegado cita vingança
Teve início na manhã desta quarta-feira (12) o julgamento por júri popular dos três réus acusados de matar o empresário Gersino Rosa dos Santos e o vendedor Cleyton de Oliveira de Souza Paulino no Shopping Popular, em Cuiabá, em 22 de novembro de 2023.

Era como se esse homicídio tivesse o condão de retirar a dor de uma mãe que havia perdido o filho
Jocilene Barreiro da Silva e o filho, Vanderley Barreiro da Silva, são apontados como mandantes do crime, e Sílvio Júnior Peixoto é acusado de executar os disparos. O julgamento é realizado no Fórum da Capital e conduzido pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá.
Uma das testemunhas é o delegado Nilson Farias, responsável pelo caso. Segundo ele, o motivo do crime foi a vingança de Jocilene e Vanderley após a morte de outro filho da acusada alguns dias antes do duplo homicídio.
Os acusados acreditavam que Gersino seria o responsável pela morte de Girlei Silva da Silva, de 31 anos, conhecido pelo apelido de “Maranhão”, filho de Jocilene e irmão de Wanderley. Cleyton, que não tinha envolvimento com o caso, acabou morto “por acidente”.
“Era como se esse homicídio tivesse o condão de retirar a dor de uma mãe que havia perdido o filho”, afirmou o delegado durante o depoimento.
Josi Dias/TJMT

O delegado Nilson Farias testemunhou no julgamento dos três acusados do duplo homicídio que ocorreu no Shopping Popular, em novembro de 2023
Ainda durante o depoimento, o delegado comparou a escolha da arma ao grau de responsabilidade dos envolvidos.
“Eles decretaram uma sentença de morte. Optaram por uma pistola 9 mm, uma arma com projétil de alta velocidade e grande poder de penetração. Quando Sílvio e Vanderley escolhem usar uma 9 mm em um local extremamente populoso, como o Shopping Popular, eles assumem o risco do resultado: aceitaram a possibilidade de atingir e matar qualquer pessoa que estivesse por perto”, descreveu Farias.
A defesa de Jocilene
A defesa de Jocilene chegou a questionar o papel da mulher no crime, mas o delegado afirmou que a origem cigana da família a coloca em um papel de liderança simbólica, mesmo que ela não tenha participado do parte operacional.
“Na cultura cigana, ela é uma matriarca. As decisões passam primeiro por ela, há um respeito muito grande à figura feminina. Acredito que a principal participação dela foi dar o aval, o consentimento, mas não a execução direta dos atos. Ela tem o domínio sobre o que vai ou não acontecer”, explicou.
O crime, classificado como homicídio qualificado com duplo resultado e motivo torpe, completará dois anos no fim deste mês. O julgamento segue com oitiva de testemunhas e depoimento dos réus ao longo do dia.
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