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MPE é acionado para investigar suposta fraude de R$ 12,9 mi em licitação

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O Ministério Público Estadual (MPE) recebeu uma representação para apurar supostas irregularidades em uma licitação da Prefeitura de Várzea Grande, destinada à contratação de serviços de regularização fundiária urbana no valor estimado de R$ 12,9 milhões.

 

A denúncia tem como alvos as empresas Tecnomapas Ltda. e Geração Consultoria e Assessoria Ltda e seus respectivos  representantes, José Ricardo Orrigo Garcia e Benedito Carlos Arruda de Oliveira.

 

Segundo a representação, cuja investigação já estaria com a promotora de Justiça Taiana Castrillon Dionello, os fatos podem configurar, em tese, os crimes de fraude à licitação, falsidade ideológica e uso de documento falso, além de possíveis atos de improbidade administrativa e infrações previstas na Lei nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações).

 

A denúncia sustenta que houve utilização de atestados de capacidade técnica supostamente irregulares para comprovar a qualificação da Tecnomapas no certame milionário promovido pelo Município.  

 

De acordo com a denúncia, os questionamentos recaem sobre os atestados de capacidade técnica apresentados pela Tecnomapas durante a fase de habilitação. A autora da representação afirma que todos os documentos utilizados para comprovar a experiência da empresa foram emitidos pela Geração Consultoria, cujo proprietário, Benedito Carlos Arruda de Oliveira, também atua como responsável técnico contratado pela própria Tecnomapas.  

 

A representação aponta quatro grupos principais de supostas irregularidades: emissão de atestados sem independência entre emitente e beneficiário; divergência entre os serviços efetivamente contratados e aqueles descritos nos documentos; possível subcontratação integral de contratos públicos em desacordo com cláusulas contratuais; e incompatibilidades cronológicas entre contratos, registros imobiliários e Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs).  

 

Segundo a denunciante, o caso configuraria uma espécie de “atestado autofornecido” ou “autocomplacente”, situação em que o mesmo profissional participa simultaneamente da emissão e do aproveitamento dos documentos, comprometendo a independência necessária para validação da capacidade técnica da empresa licitante.  

 

O documento também relata supostas inconsistências em projetos de regularização fundiária executados nos municípios de Jauru e Araputanga. Conforme a representação, algumas ARTs utilizadas para embasar os atestados registrariam serviços realizados antes mesmo da celebração dos contratos administrativos ou da existência de vínculo formal entre os responsáveis técnicos e as empresas envolvidas.  

 

Outro ponto citado é que fatos semelhantes envolvendo as mesmas empresas e pessoas já teriam sido alvo de um Processo de Sindicância e de um Processo Administrativo de Responsabilização (PAR) no Município de Nova Xavantina.  

 

A concorrência questionada prevê a contratação de serviços especializados de Regularização Fundiária Urbana (Reurb) em 25 núcleos urbanos informais consolidados de Várzea Grande, abrangendo cerca de 8.043 imóveis. O valor estimado do contrato é de R$ 12.900.972.  

 

Na representação, a denunciante requer que o Ministério Público apure a autenticidade dos atestados, a legalidade da habilitação técnica da Tecnomapas e a eventual responsabilidade civil, administrativa e criminal dos envolvidos. Até o momento, não há decisão sobre o mérito das acusações, que ainda dependem de análise dos órgãos de controle e da manifestação dos citados.





Fonte: Mídianews

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