Judiciario
MPE: réus no caso Zampieri tinham codinomes para falar do crime
O Ministério Público Estadual diz que os réus pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri usavam codinomes quando se referiam ao crime em conversas de WhatsApp. A conclusão se deu a partir de mensagens recuperadas do aparelho celular do empresário Hedilerson Fialho Martins Barbosa e do coronel da reserva do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, apontados como intermediador e financiador, respectivamente, do crime.

Etevaldo questiona se Hedilerson teria falado com Antonio, o qual chama de ‘empreiteiro
Conforme o MPE, os dois chamavam o pedreiro Antônio Gomes da Silva, executor confesso do assassinato, de “empreiteiro”. Já Etevaldo era tratado como “engenheiro” por Hedilerson e Antônio.
A informação consta no documento em que o Ministério Público pede que o trio seja levado a júri popular.
“Apesar de Hedilerson ter apagado diversas conversas, foram recuperadas algumas mensagens relevantes. Nesse sentido, na data de 17/12/2023, Etevaldo questiona se Hedilerson teria falado com Antonio, o qual chama de ‘empreiteiro’. Hedilerson, por seu turno, encaminha diversos arquivos de áudios enviados por Antonio, onde tentam agendar reunião com o ‘engenheiro’ (Etevaldo)”, diz trecho do documento.
Conforme o MPE, as mensagens confirmam aquilo que o próprio Antônio disse em depoimento à Polícia Civil, de que Hedilerson era o responsável por repassar os comandos emitidos por Etevaldo, dando ciência a ele de todas as informações.
Em juízo, porém, Antônio negou a participação do empresário e do coronel no crime. Para o Ministério Público, a revelação de Antônio trata-se de um “teatro armado”.
O MPE mencionou o trecho de uma conversa entre Hedilerson e uma pessoa identificada como “Gilberto”, na qual deixaria bem claro que foi ele quem indicou Antonio para a empreitada.
Ele ainda confirma que Etevaldo foi contratado por terceira pessoa para matar Zampieri. O suposto mandante do crime seria o fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo, que responde a um inquérito separado pelos fatos. Ele foi indiciado pela Polícia Civil no mês passado e encontra-se em liberdade provisória, cumprindo medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Veja fac-símile:


O Ministério Público ainda citou outra mensagem recuperada do celular de Hedilerson, onde os acusados tentam agendar uma reunião após a morte de Zampieri e o retorno de Antônio a Minas Gerais.
“Essas conversas também evidenciam que a reunião tinha como propósito a quitação do valor prometido a Antonio, no montante de R$ 20.000,00 (vinte mil reais)”, diz trecho do documento.
Vinda a Cuiabá
Já no aparelho de Etevaldo, foi recuperado um áudio em que afirma, segundo o MPE, “estar organizando vinda a Cuiabá, a fim de pegar materiais (pratos e talheres) do ‘empreiteiro’ (se referindo a Antonio), deixados/perdidos na ‘festa’, fazendo uma clara alusão ao evento criminoso que vitimou Roberto Zampieri, na data de 05/12/2023”.
No áudio ele menciona, ainda, uma “missão” dada à pessoa de Gilberto, sobre uma pessoa tornozelada, presumindo se tratar de outra investida criminosa do grupo. Veja fac-símile.


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