Saúde
Sentir saudade pode reduzir sintomas da depressão, sugere estudo
O estudo, publicado na revista em janeiro, envolveu 39 participantes, todos sem diagnóstico de transtornos mentais, mas com sentimentos frequentes de autoculpa e tristeza (o inventário de Beck).
“Sabemos que a vulnerabilidade à depressão aumenta em pessoas com excesso de autocrítica, devido à propensão que têm a se culpar pelo fracasso. Nosso objetivo era verificar a viabilidade e o potencial de utilizar o sentimento de saudade como uma intervenção neste contexto. Ela representa um senso de apreciação e conexão através de memórias de eventos e pessoas”, explica o neurologista Jorge Moll Neto, que chefiou o estudo. Ele é idealizador da Ciência Pioneira, uma iniciativa de apoio à pesquisa.
Como foi feita a pesquisa?
Os voluntários foram orientados a criar um vídeo de 10 minutos usando fotos, vídeos e músicas que evocassem os sentimentos em ordem: autocrítica, tristeza e, finalmente, saudade. O grupo de pacientes assistiu ao material diariamente por uma semana e refletiu sobre os sentimentos que ele evocava.
Após o período, ao refazer as avaliações do inventário, os pacientes tiveram uma redução de seus sentimentos depressivos, saindo de uma média de 11,8 pontos no teste para 9,6 pontos. Valores acima de 10 indicam depressão leve e os superiores a 30, depressão severa. Quanto maior a pontuação, maior a severidade dos sintomas.
A proposta partiu da observação de que especialmente aqueles com tendência à autocrítica. A saudade foi escolhida como alternativa por seu potencial de conexão com as memórias, tanto boas como ruins, além da sensação de pertencimento.
“Estudos anteriores já tinham demonstrado que o sentimento de nostalgia ajuda as pessoas a encontrarem significado em suas vidas, reforçando um senso de pertencimento e aceitação. A saudade pode ajudar a minimizar a culpa e a tristeza, facilitando a conexão positiva entre passado e presente”, complementa Jorge.
Saudade como ferramenta terapêutica
A psicóloga Lígia Kaori Matsumoto, do Hospital Dia M’Boi Mirim I, que não participou da pesquisa, aponta que a sensação de falta, embora muitas vezes associada à dor, também pode trazer conforto e alegria ao revisitar momentos felizes.
“Lidar com a saudade pode ser desafiador, mas ela também pode ser uma fonte de ressignificação e crescimento pessoal, nos permitindo revistar o passado e trabalhar na superação e na ressignificação de sentimentos ruins”, diz. Ela sugere que práticas como exercício físico e meditação podem acelerar essa transformação.
Limitações do estudo
Apesar dos resultados promissores, o estudo tem limitações. A amostra foi pequena e predominantemente feminina, o que dificulta a generalização dos achados. Além disso, o desenho experimental não permitiu estabelecer uma relação causal direta entre a intervenção e a redução dos sintomas. Um ensaio clínico randomizado, com pacientes já diagnosticados com depressão, será necessário para confirmar os efeitos.
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