Cidades
Sinfra diz ter acionado Consórcio BRT 50 vezes e critica morosidade em obras
A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) emitiu uma nota rebatendo a fala do Consórcio Construtor BRT, que atribuiu a lentidão nas obras de implantação do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT, na sigla em inglês) a disputas políticas e problemas de gestão dos órgãos públicos. A pasta afirmou já ter acionado a empresa 50 vezes para assuntos relacionados às obras do modal.
A construtora alegou, em uma grande lista de empecilhos que teriam comprometido os trabalhos, problemas no anteprojeto desenvolvido pelo Governo do Estado, ao que a Sinfra respondeu caber ao consórcio a apresentação de soluções técnicas para as possíveis falhas identificadas – como o posicionamento de portas de estações, realização de drenagem na Avenida da Prainha e melhorias em viadutos.
Além disso, o Governo destacou que o modelo de contratação – Regime Diferenciado de Contratação Integrada (RDCI) – prevê que “todo o detalhamento da obra e dos demais projetos são de responsabilidade da empresa contratada, no caso o consórcio”.
Reprodução

Outro ponto rebatido pela pasta é quanto à crítica da construtora a respeito da emissão de licenças ambientais por parte da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema). “A obtenção de licenças ambientais é uma responsabilidade atribuída ao Consórcio por contrato e o prazo citado decorre da morosidade do Consórcio Construtor BRT em entregar os documentos técnicos exigidos”, ressalta.
Quanto às alterações de traçado do BRT em Várzea Grande, também salientados como um problema pelo Consórcio BRT, a Sinfra informou que trataram-se de demandas da população, que foram “amplamente discutidas com o Consórcio, sendo inclusive objeto de pedido de reequilíbrio econômico financeiro – análise que depende da apresentação de documentos complementares por parte das empresas, que comprovem esse desequilíbrio”.
Em outro trecho da nota, a Sinfra critica ainda os atrasos nas obras da Avenida do CPA, afirmando que não cabe ao Consórcio justificá-los citando trechos que sequer foram iniciados, como o Centro de Controle Operacional, a ponte sobre o Rio Coxipó e os viadutos da Avenida Fernando Corrêa.
Além disso, a pasta salienta não ter liberado a abertura de novos trechos para “não prejudicar a população, em decorrência da morosidade em que o trabalho está sendo realizado”.
A secretaria destaca também que levou em consideração a análise da situação financeira do Consórcio, “que não vem honrando com seus compromissos com fornecedores”, mesmo, segundo a Sinfra, com os pagamentos feitos pelo Governo do Estado em dia.
“Por fim, a Sinfra informa que desde o início do contrato notificou o Consórcio BRT 50 vezes sobre assuntos relacionados às obras”, destaca.
“O bicho vai pegar”
Na manhã desta segunda-feira (13), o governador Mauro Mendes (União Brasil) classificou como “inadmissível” a lentidão das obras do BRT e prometeu que “o bicho vai pegar” para o consórcio responsável, que será novamente notificado pelo Governo do Estado.
“Eles [Consórcio BRT] vão ser novamente, pela segunda vez, notificados. Se não houver uma reação muito rápida nos próximos dez dias, garanto que o bicho vai pegar para o lado deles, porque é inadmissível. O Governo paga, literalmente, em dia. Se tem empreiteira performando mal, é por incompetência, falta de gerenciamento”, disse Mauro, em entrevista à Rádio CBN.
Além disso, o governador afirmou que não aceita mais lentidão na obra. Neste sentido, exige que a postura da empresa mude radicalmente.
“Se não der jeito, se não mexer o corpinho, o bicho vai pegar. Eles vão mudar radicalmente, tem que ser rápido, ligeiro. Não vamos mais esperar”, completou.
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