Judiciario
Versão fantasiosa, diz promotor sobre depoimento de pistoleiro
O promotor de Justiça Jorge Paulo Damante Pereira disse não ter ficado surpreso com o depoimento do pedreiro Antônio Gomes da Silva e que a versão apresentada por ele, durante a primeira audiência sobre o homicídio do advogado Roberto Zampieri, é “absolutamente fantasiosa”.

Um engodo, mais uma tentativa de lançar uma cortina de fumaça sobre a responsabilidade que são dos outros dois corréus
Antônio assumiu ter sido ele o autor dos disparos que mataram Zampieri, mas inocentou os outros dois réus, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o coronel Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas.
“Nenhuma surpresa. Sabemos que é muito comum esse tipo de estratégia, porque o senhor Antônio não tem como negar a prática do delito. O réu nega quando a autoria é discutível, quando não há provas suficientes”, disse.
“No caso dele, as provas são tão evidentes, são tão robustas que seria impossível a ele negar a prática do crime”, completou.
A confissão, segundo o promotor, é uma “estratégia da defesa” para, em uma eventual e provável condenação no Tribunal do Júri, receber uma atenuante de pena.
Novo nome
Além de assumir a autoria e negar o envolvimento dos corréus, Antônio afirmou que revelará durante o júri a mando de quem agiu. Segundo ele, por segurança, ainda não o fez.
Ao assumir a autoria dos disparos e inocentar os demais réus, Antônio, para Damante, está trabalhando para favorecer os corréus. “Inclusive inventando uma história, uma versão absolutamente fantasiosa”, disse.
“Um engodo, mais uma tentativa de lançar uma cortina de fumaça sobre a responsabilidade que são dos outros dois corréus”, completou.
É possível, conforme o promotor, que Antônio levante um nome qualquer no momento em que as investigações já estão concluídas.
“Quando ele fala ‘vou revelar o mandante’ é porque provavelmente vai trazer algum nome e vincular isso num momento em que já estão encerradas as investigações. É apenas uma estratégia da defesa de isentar. Ele assume e isenta os outros dois das responsabilidades”.
Frio e calculista
Para Damante, a confissão não aponta que Antônio seja o elo mais fraco e, sim, a impossibilidade de refutar as provas.
“É um assassino frio e calculista. Aliás, quem o chama assim são as próprias pessoas envolvidas no caso, inclusive o [Hedilserson] Barbosa. Eles mesmos o nomeiam dessa forma. Ele não tem nada de parte mais fraca, simplesmente a robustez da prova da execução é tão evidente que não tem como ele negar”.
Linhas de defesa
Em seus depoimentos, Hedilerson e Caçadini negaram ter qualquer tipo de envolvimento no crime.
O primeiro alega ter vindo de Minas Gerais para Cuiabá, no dia do crime, para participar de uma competição de tiro. A denúncia do Ministério Público Estadual aponta que ele trouxe na bagagem a arma que foi usada por Antônio para cometer o crime contra Zampieri.
“Não há nenhuma prova de que Barbosa tenha vindo para Cuiabá para participar de competição de tiro. Pelo menos os autos não reúnem provas nesse sentido. Ele veio aqui para trazer a arma”.
Segundo Damante, conversas entre os dois corroboram a hipótese de envolvimento de Hedilerson Barbosa no crime.
Já o coronel Caçadini alega ter um relacionamento próximo com o empresário Aníbal Manoel Laurindo, apontado pela Polícia como mandante.
“Sendo que nós sabemos que é muito mais do que isso. As conversas extraídas do telefone celular demonstram muito mais que isso. Demonstram a prática não só de um crime, mas de outros”.
O caso
Roberto Zampieri foi assassinado no dia 5 de dezembro do ano passado, quando deixava seu escritório no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Ele havia acabado de entrar em seu carro, um Fiat Toro branco, quando o assassino se aproximou e atirou dez vezes contra ele.
Em fevereiro deste ano, o juiz Wladymir Perri, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, acolheu o pedido do Ministério Público Estadual e tornou Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas réus pelo crime. Além disso, o magistrado converteu a prisão temporária do trio em preventiva.
Mais recentemente o empresário Aníbal Manoel Laurindo foi indiciado como suposto mandante.
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