Política
Não podemos culpar só a polícia se alguém morre em tiroteio, diz Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta 5ª feira (20.fev.2025) que os policiais usem câmeras corporais para que não “entrem” em comunidades “só para matar as pessoas”, mas se alguém for baleado em tiroteios, não se pode culpabilizar só a corporação. O chefe do Executivo disse ser preciso que o Congresso aprove a chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, para que seja “oficialmente” definido o papel da União na segurança pública dos Estados.
“Qualquer medida que a gente tome na favela, nós temos que ter cuidado. Porque a gente não pode entrar na favela só para matar as pessoas. Nós queremos que os policiais entrem com câmara para a gente saber se ele vai ser violento ou não, antes de tentar qualquer outra coisa. Eu acho que o tiro deve ser a última coisa que a gente tem que fazer. Agora, se for necessário, em um tiroteio, alguém vai morrer e a gente não pode só culpabilizar a polícia”, declarou em entrevista à rádio Tupi FM, do Rio.
Conforme o presidente, há, “em quase todos os Estados”, um “problema de excesso de violência”. Lula citou um episódio em que havia um tiroteio do Rio no momento em que ele inauguraria um hospital na cidade.
“Tinha um tiroteio lá [no Rio de Janeiro]. Daí eu liguei para o governador [Cláudio Castro (PL)], porque a minha [equipe de] segurança não queria mais ir. Eu falei: nós vamos ao Rio de Janeiro. Eu sei que, quando a gente chegou lá, o tiroteio parou. Mas dizem que quando eu saí, voltou”, disse.
“Nós não podemos permitir que esse ‘bang bang’ continue existindo no Rio de Janeiro. Eu acho que nós não podemos ter polícia só para entrar na favela para atacar, matar e atirar. É preciso que a polícia esteja constantemente participando da vida na favela”, declarou Lula.
Lula pressionou o Congresso a aprovar PEC da Segurança Pública. O documento está atualmente sob análise da Casa Civil. O texto passou por ajustes para atender às demandas de governadores e será enviado para análise dos congressistas.
O presidente disse que o governo vai enviar a PEC ao Congresso para “definir claramente” o papel da União na segurança pública dos Estados.
“Muitas vezes, os governadores não querem que o governo federal se intrometa na segurança dos Estados. De vez em quando, eles pedem que eu faça uma GLO [Operação Garantia da Lei e da Ordem], e eu não vou fazer GLO, porque a GLO que foi feita no Rio de Janeiro gastou mais de R$ 2 bilhões e não resolveu quase nada”, declarou.
“O que nós queremos é participar ativamente de forma a ter uma ação complementar com os governadores do Estado e resolver definitivamente a questão da segurança”, afirmou.
“Até onde a gente pode ir, até onde a gente pode se intrometer, aonde que a Polícia Federal pode agir, aonde que a gente pode ter a Força Nacional participando”, afirmou.
“Nós queremos aprovar a PEC do papel do Estado. Em que tempo? O do Congresso Nacional. Se eles trabalharem rapidamente, nós podemos andar rápido. Se eles não trabalharem, não vai acontecer. Daí o governador pode ter influência na bancada do Rio de Janeiro, o governo federal pode ter influência, o prefeito pode ter influência, todo mundo pode ajudar. O que queremos é muita rapidez”, disse Lula.
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