Judiciario
PF apura falsificação de documento para extorquir empresário
As provas encontradas pela Polícia Federal no notebook do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves indicam que ele forjou documentos de uma investigação do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Og Fernandes com o objetivo de extorquir um empresário.
Procuradas, a defesa do lobista e o gabinete do ministro não quiseram se manifestar. O empresário confirmou ter sido procurado pelo lobista, mas diz que não fechou contrato.
A Polícia Federal chegou a realizar busca e apreensão contra o chefe de gabinete do ministro, Rodrigo Falcão, para apurar suspeitas de que ele teria vazado documentos sigilosos da Operação Faroeste ao lobista. Até o momento, não foram encontradas evidências de vínculos entre Falcão e o lobista.
Mas as informações obtidas pela PF no notebook de Andreson mostram que, além do acesso às verdadeiras minutas de decisões, ele também forjava documentos do STJ para tentar vender influência e captar clientes. O lobista tinha em seu notebook diversos modelos de documentos com a marca d’água do tribunal, que serviam para dar aspectos de veracidade às suas criações.
Por isso, a PF ampliou as suspeitas sobre a linha de atuação do lobista. Estão sob investigação as hipóteses de que ele conseguia informações antecipadas de alguns gabinetes do STJ mas, também, criava documentos para tentar enganar e captar clientes.
“A presença desses elementos levanta a possibilidade de uso com fins ilícitos, como a fabricação de documentos de autenticidade duvidosa, evidenciando não apenas a imitação de documentos verdadeiros, mas também, hipoteticamente, a intenção de conferir aparência de legitimidade a arquivos potencialmente questionáveis”, diz o relatório.
A PF afirmou ter encontrado dois documentos suspeitos de falsificação: um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para prisão do empresário Nelson Vigolo na Operação Faroeste e uma decisão do ministro do STJ Og Fernandes sobre o assunto. O Estadão apurou que esses dois documentos não são oficiais. A PGR nunca pediu a prisão de Vigolo e, portanto, a decisão do ministro encontrada no computador do lobista também era falsa.
Procurado pelo Estadão, Nelson Vigolo confirmou que de fato foi procurado pelo lobista na ocasião com uma oferta de serviços para a Operação Faroeste, mas não fechou o contrato oferecido. O ministro Og Fernandes não se manifestou sobre a suspeita da PF de que o lobista falsificou esses documentos.
Na verdade, a PGR solicitou busca e apreensão contra Nelson Vigolo e a prisão temporária de outros alvos. A decisão do ministro Og Fernandes acolheu integralmente o pedido da Procuradoria.
A suspeita apontada pela investigação é que o lobista criou esses documentos para tentar extorquir o Vigolo e convencê-lo a fechar um contrato de advocacia com sua esposa, a advogada Miriam Ribeiro Gonçalves, sob o argumento de que poderia livrá-lo da prisão. Isso porque a PF também identificou uma minuta de contrato de R$ 3 milhões que seria destinada a Vigolo.
“Posto isto, especialmente considerando a existência destas Minutas de Contrato de Prestação de Serviços Advocatícios e a Procuração, é possível que o suposto pedido de prisão preventiva e a minuta de decisão a ser supostamente proferida pelo ministro Og Fernandes tenham sido utilizados por Andreson como forma de pressionar Nelson Vigolo a contratar o escritório Ribeiro e Martins Advogados Associados, vinculado à sua esposa Mirian”, diz o relatório.
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