Polícia

PC mira gerente de fazenda no TO que desviou R$ 10 milhões do patrão e comprou imóveis em MT

Avatar photo

Published

on


A Polícia Civil do Tocantins, por meio da 6ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (DEIC) de Paraíso, deflagrou na manhã desta terça-feira (7), operação policial com o objetivo de cumprir mandados judiciais contra um homem investigado por desviar valores milionários de uma grande fazenda no Tocantins, onde atuava como gerente.

A operação conta com apoio da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), do Grupo de Operações Táticas Especiais (GOTE), da 67ª e 68ª Delegacias de Polícia e também da Polícia Civil do Estado de Mato Grosso, por meio da Delegacia de Polícia de Novo São Joaquim (MT).

As investigações apontam que o suspeito utilizava o cargo de confiança para superfaturar serviços prestados por terceiros à propriedade rural. A diferença entre os valores reais e os declarados era desviada para contas próprias do investigado e também de terceiros, muitos deles ligados a empréstimos informais realizados pelo investigado, que também atuava como agiota.

Ao todo, estão sendo cumpridos seis mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva nas cidades de Miranorte e Lajeado, no Tocantins, além de Novo São Joaquim, no Mato Grosso. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 10 milhões nas contas do ex-gerente investigado e da esposa dele e mais R$ 1,6 milhão nas contas de uma empresa que seria parte do esquema.

Em Miranorte, as equipes atuam na residência do investigado e em uma empresa que mantinha contratos com a fazenda. Já em Lajeado, o alvo é uma chácara adquirida pelo investigado com recursos ilícitos. No município mato-grossense, os mandados são cumpridos em imóveis vinculados ao suspeito e registrados em nome de terceiros.

De acordo com as apurações, os crimes ocorreram entre os anos de 2021 e 2025, período em que o investigado se aproveitou da confiança do proprietário da fazenda para executar o esquema fraudulento. De acordo com as investigações, o prejuízo estimado pode chegar a R$ 10 milhões, valor que foi bloqueado por ordem judicial das contas do ex-gerente.

As investigações tiveram início há cerca de seis meses, após os proprietários perceberem inconsistências financeiras e solicitarem apuração dos fatos para a 6ª DEIC. Durante o curso do inquérito, foi identificado que o investigado, que recebia salário de aproximadamente R$ 26 mil, apresentou evolução patrimonial incompatível com a renda declarada, passando de cerca de R$ 200 mil para R$ 1,9 milhão entre os anos de 2023 e 2024, sem qualquer lastro financeiro que justificasse o patrimônio adquirido.

Também foi constatado que o suspeito aplicou mais de R$ 2,5 milhões em diversos fundos de investimento, valores identificados após quebra de sigilos autorizada judicialmente. Foi apurado que o investigado ainda pesquisou na internet sobre formas de investimento capazes de gerar renda mensal de R$ 20 mil, e sobre como é o processo contra funcionário acusado de superfaturamento. Nos documentos analisados pela 6ªDEIC, também foram encontradas planilhas de controle dos valores obtidos através do esquema de agiotagem mantido pelo suspeito.

O investigado poderá responder pelos crimes de furto qualificado mediante fraude, lavagem de dinheiro e crime da lei de usura (agiotagem). A apuração também aponta indícios de falsidade ideológica, por falsificação de documentos, estelionato, constrangimento ilegal, e de extorsão, uma vez que empresas prestadoras de serviço relataram postura intimidatória por parte do suspeito durante as cobranças, inclusive com emprego de arma de fogo.

A prisão preventiva foi representada pela autoridade policial e deferida pelo Poder Judiciário, tendo como fundamentos a reiteração criminosa, a gravidade dos fatos, indícios de planejamento para deixar o estado e relatos de comportamento intimidatório por parte do investigado.

O delegado da DEIC de Paraíso, Antônio Onofre Oliveira da Silva Filho, destaca a complexidade do caso e a atuação técnica da equipe. “Trata-se de uma investigação minuciosa, que identificou um esquema estruturado de desvio de recursos ao longo de vários anos, com utilização de empresas prestadoras de serviço, e movimentações financeiras incompatíveis com a renda do investigado. A atuação da Polícia Civil permitiu reunir elementos robustos que subsidiaram as medidas judiciais adotadas”, ressaltou.

No decorrer da operação, foram apreendidas duas pistolas em um dos endereços alvo das buscas.



Comentários
Continue Reading
Advertisement

CIDADES

Advertisement

POLÍTICA

Advertisement

POLÍTICA

Advertisement

MATO-GROSSO

Advertisement

GRANDE CUIABÁ

As mais lidas da semana