Judiciario
Zuquim: “Me sinto constrangido; é hora de fazermos alguma coisa”
O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), desembargador José Zuquim Nogueira, afirmou estar “constrangido” diante do aumento dos casos de feminicídio no Estado.

A violência contra a mulher é um problema cultural, que vem de longa data e tem origem no chamado machismo
A declaração foi feita nesta quarta-feira (15), durante encontro com profissionais da imprensa de Cuiabá. O evento discutiu o papel da mídia na prevenção à violência contra a mulher, em parceria com o Poder Judiciário, e contou com palestra do delegado da Polícia Civil do Distrito Federal, Marcelo Zago.
“Eu me sinto constrangido pelo quadro de feminicídios no nosso Estado. Acho que chegou o momento de fazermos alguma coisa de mãos dadas”, disse.
Mato Grosso liderou o ranking nacional de feminicídios em 2024 e 2025, com 47 e 54 casos, respectivamente, segundo dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público Estadual (MPE).
“Machismo”
Zuquim afirmou que a violência contra a mulher tem raízes culturais, associadas ao machismo.
“A violência contra a mulher é um problema cultural, que vem de longa data e tem origem no chamado machismo”, declarou.
O desembargador também citou a própria vivência para ilustrar a mudança de mentalidade ao longo do tempo.
“Fui criado em um ambiente machista, em que se dizia que mulher tinha que ficar em casa, cuidando dos afazeres domésticos. Hoje, a realidade é outra, com uma participação muito maior da mulher na sociedade”, afirmou.
Zuquim destacou ainda a importância da imprensa no enfrentamento à violência contra a mulher, não apenas na divulgação dos casos, mas também na orientação às vítimas.
“A imprensa noticia feminicídios e agressões, mas também tem o papel de mostrar os caminhos de proteção e orientar a vítima sobre o que fazer e onde buscar ajuda”, disse.
Imprensa e Judiciário
O encontro foi coordenado pela desembargadora Maria Erotides Kneip. Durante o evento, foi distribuído um guia com orientações para a cobertura responsável de casos de violência contra a mulher e feminicídio.
O material aborda pontos como a escolha de linguagem, o uso de imagens, o foco da narrativa e o chamado “efeito contágio”, destacando a responsabilidade social na forma de divulgar esse tipo de informação.
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