Judiciario
Deputado destinou R$ 7,7 milhões a instituto suspeito de esquema
Documentos obtidos com exclusividade pelo MidiaNews revelam que o deputado estadual Elizeu Nascimento (Novo) repassou mais de R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Social Mato-grossense (ISMAT), entidade suspeita de operar um esquema de desvio de dinheiro com devoluções a políticos.
Elizeu e seu irmão, o vereador por Cuiabá Cezinha Nascimento (União), alvos da operação policial Emenda Oculta, deflagrada nesta quinta-feira (30) pelo Ministério Público Estadual (MPE), teriam recebido ao menos R$ 720 mil no esquema.
As investigações apontam que parte desses recursos tenha sido desviada e posteriormente sacada em espécie para dificultar o rastreamento. As investigações apuram um esquema de desvio de emendas destinadas ao ISMAT e ao Instituto Brasil Central (Ibrace).
Segundo as investigações do MPE e da Polícia Civil, elementos probatórios já colhidos evidenciariam sucessivos saques em espécie nos valores de R$ 250.000,00 (em 16 de dezembro de 2025), R$ 350.000,00 (em 23 de dezembro de 2025), e R$ 120.000,00 (em 21 de janeiro de 2026), totalizando R$ 720.000,00, quantia que representaria, em análise inicial, parcela do proveito econômico indevidamente auferido.
Relatórios técnicos e de inteligência financeira indicam que os saques ocorreram em datas próximas à liberação de emendas, o que reforça a hipótese de correlação entre os repasses públicos e a retirada dos valores. Em um dos episódios, o investigado foi monitorado ao sair de uma agência bancária com dinheiro em espécie e, em seguida, se deslocar para encontro com outros envolvidos.
Bloqueio de bens
As apurações também apontam que os recursos podem ter transitado por pessoas jurídicas, incluindo empresas e institutos, utilizados como intermediários na movimentação financeira. Há ainda indícios de compartilhamento de estrutura entre entidades, o que levanta suspeita de uso coordenado para ocultação de valores.
Diante dos indícios, o MPE requereu o bloqueio de bens e ativos dos envolvidos, com limite inicial de até R$ 720 mil, valor correspondente aos saques já identificados. A medida busca garantir eventual ressarcimento ao erário e impedir a dissipação do patrimônio durante o andamento da investigação.
Além disso, foram solicitadas medidas como busca e apreensão, quebra de sigilos bancário e fiscal e acesso a dados armazenados em dispositivos eletrônicos, com o objetivo de reconstruir o fluxo financeiro e identificar a origem e o destino dos recursos.
Os elementos reunidos até o momento incluem relatórios do COAF, análises técnicas, monitoramento e registros bancários, que apontam para a circulação de grandes quantias em dinheiro vivo — prática frequentemente associada à tentativa de ocultação da origem e do destino de recursos. O caso segue sob análise do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
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