Judiciario
TJ forma maioria para aposentar juíza investigada em caso ligado a feminicídio; julgamento é supenso
Conteúdo/ODOC – A juíza Maria das Graças Gomes da Costa, titular da Vara Especializada da Infância e Juventude de Rondonópolis (a 218 km de Cuiabá), recebeu dois votos favoráveis à aplicação da pena de aposentadoria compulsória durante julgamento realizado nesta quinta-feira (28) pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT).
A relatora do processo, desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, manifestou-se pela punição disciplinar da magistrada. O entendimento foi acompanhado pela desembargadora Maria Erotides Kneip. O julgamento, entretanto, não foi concluído após pedido de vista apresentado pelo desembargador Orlando Perri.
Como o procedimento tramita sob sigilo, os fundamentos apresentados pelas magistradas não foram divulgados. Também não há previsão para a retomada da análise do caso.
Maria das Graças está afastada das funções desde janeiro deste ano, quando o Tribunal de Justiça determinou sua suspensão por 90 dias em decorrência de uma reclamação disciplinar apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPE) ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A representação foi protocolada em dezembro de 2025 e tem relação com o feminicídio da bancária Leidiane Souza Lima, de 34 anos, assassinada a tiros em janeiro de 2023, em Rondonópolis. O principal acusado do crime é o empresário Antenor Alberto de Matos Salomão, marido da magistrada.
Na manifestação encaminhada ao CNJ, o Ministério Público apontou indícios de que a juíza poderia ter conhecimento de fatos relacionados ao crime, citando elementos reunidos durante as investigações, entre eles registros de contatos telefônicos feitos pelo acusado logo após o homicídio.
Além disso, o órgão ministerial levantou suspeitas sobre a atuação da magistrada em questões envolvendo a guarda da filha da vítima com o empresário, atualmente com cinco anos de idade.
Antenor foi preso pela primeira vez em fevereiro de 2023. Pouco mais de um mês depois, obteve liberdade por decisão judicial mediante cumprimento de medidas cautelares, incluindo monitoramento eletrônico. Em agosto de 2025, contudo, a prisão preventiva foi restabelecida e ele permanece custodiado na Penitenciária Regional Major Eldo de Sá Corrêa, em Rondonópolis.
Com o pedido de vista, o desfecho do processo disciplinar contra a juíza ficou adiado até que o caso retorne à pauta do Órgão Especial do TJ-MT.
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