Judiciario
Após 38 anos, júri absolve todos os acusados da Chacina de Juara
O Tribunal do Júri da Comarca de Sinop absolveu os sete réus acusados de participação em um triplo homicídio ocorrido em janeiro de 1988, em Juara (654 km de Cuiabá).
O caso, conhecido como “Chacina de Juara”, marcou a história criminal de Mato Grosso e permaneceu em tramitação por quase quatro décadas.
As vítimas foram Ademir Marques Ramos, Luiz Carlos Andrade dos Santos e João Batista da Silva.
O julgamento foi realizado nesta terça-feira (3) e durou mais de 10 horas. Foram absolvidos Hildo Deodato Siqueira, Hilton Giocondo Saporski, Adão Rodrigues, Jonas Dante, Agapito Generoso Batista, Sergio Gaspar Branco e Donizete Aparecido Silva.
Durante a sessão, foram ouvidas quatro testemunhas e realizados os interrogatórios dos sete acusados. O júri foi presidido pela juíza Giselda Regina Sobreira de Oliveira Andrade.
Conforme a sentença proferida em plenário, Donizete Aparecido Silva foi absolvido da acusação de participação na morte de Ademir Marques Ramos por negativa de autoria.
Em relação aos homicídios de Luiz Carlos Andrade dos Santos e João Batista da Silva, a absolvição ocorreu com base no quesito absolutório genérico previsto no artigo 483, § 2º, do Código de Processo Penal, que permite aos jurados absolverem um acusado mesmo após o reconhecimento da materialidade do crime e da autoria. Nesses casos, os integrantes do júri respondem se o réu deve ser absolvido, sem a necessidade de apresentar uma justificativa específica para a decisão.
Os jurados também reconheceram a negativa de autoria de Hildo Deodato Siqueira e Jonas Dante em relação às três vítimas.
Já Hilton Giocondo Saporski, Agapito Generoso Batista e Sergio Gaspar Branco foram absolvidos por meio do quesito absolutório genérico. Adão Rodrigues também foi absolvido pelo Conselho de Sentença.
Caso ocorreu em 1988
A chamada Chacina de Juara ocorreu em janeiro de 1988 e é considerada um dos episódios criminais mais emblemáticos da história de Mato Grosso.
Segundo os autos, Ademir Marques Ramos, Luiz Carlos Andrade dos Santos e João Batista da Silva haviam sido presos sob suspeita de participação em um latrocínio registrado dias antes na região de Porto dos Gaúchos.
As investigações apontaram que os três foram retirados da cadeia pública por um grupo de pessoas, levados até uma praça da cidade, torturados e assassinados.
Conforme o processo, as vítimas foram mortas com golpes de facões, foices, marretas, machados e pedaços de madeira.
Os corpos foram deixados e expostos em local público, fato que provocou grande repercussão no Estado e transformou o episódio em um dos casos criminais mais conhecidos de Mato Grosso.
Em razão da forte comoção popular e da repercussão do caso, o julgamento foi transferido para a Comarca de Sinop, medida adotada para garantir a imparcialidade e a segurança dos envolvidos.
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