Judiciario
Preso, DJ de Cuiabá é condenado por tráfico de anabolizantes
A Justiça de Mato Grosso condenou o DJ cuiabano Patrike Noro de Castro a cinco anos e 10 meses de reclusão, em regime semiaberto, por tráfico interestadual de anabolizantes. Segundo a acusação, ele enviou pelos Correios 20 frascos das substâncias para um personal trainer, morador do Rio de Janeiro.
Patrike de Castro está preso desde agosto de 2025, quando foi alvo da Operação Datar, que investiga uma organização criminosa que teria feito lavagem de cerca de R$185 milhões em dinheiro oriundo do tráfico de drogas em Mato Grosso.

A corroborar tais elementos, o corréu R.C.S. confirmou em juízo que solicitou diretamente a Patrike o envio das substâncias anabolizantes
A decisão é assinada pela juíza Renata do Carmo Evaristo Parreira, da 13ª Vara Criminal de Cuiabá, e foi publicada nesta quinta-feira (18). Na mesma sentença, a magistrada deixou de condenar R.C.S.. o destinatário da encomenda.
Conforme os autos, em junho de 2015, Patrike teria enviado pelos Correios, para Copacabana, no Rio de Janeiro, cerca de mil comprimidos, sendo cinco frascos de metandrostenolonam, cinco de testosterona e dez de estanozolol.
A encomenda foi interceptada após passar por inspeção de raio-X e encaminhada à Polícia Federal. Exames periciais confirmaram que os produtos continham substâncias de uso controlado incluídas na lista da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Durante o processo, Patrike negou ter realizado o envio. A defesa também pediu sua absolvição por insuficiência de provas e alegou prescrição do caso, já que os fatos ocorreram há mais de dez anos.
Ao analisar o mérito, porém, a juíza concluiu que o conjunto probatório demonstrou que o DJ foi o responsável pela remessa dos anabolizantes. Segundo ela, embora a embalagem externa tenha sido enviada com nome falso e endereço genérico, uma caixa localizada no interior da encomenda continha o verdadeiro nome e endereço de Patrike.
“A corroborar tais elementos, o corréu R.C.S. confirmou em juízo que solicitou diretamente a Patrike o envio das substâncias anabolizantes para o Estado do Rio de Janeiro, afirmando que o acusado ficou responsável pela remessa via Sedex”, registrou a magistrada.
A juíza também citou mensagens extraídas do celular do acusado que, segundo ela, revelaram negociações envolvendo anabolizantes e drogas sintéticas, reforçando a conclusão de que a remessa não foi um fato isolado.
“Desse modo, a prova produzida não se limita a meros indícios isolados, mas forma um conjunto harmônico, convergente e apto a demonstrar que Patrike Noro de Castro foi o responsável pela remessa interestadual das substâncias anabolizantes apreendidas. Razão pela qual a condenação é a medida que se impõe”, concluiu.
Comprador absolvido
Em relação a R.C.S., a magistrada entendeu que as provas apontam que os produtos seriam destinados ao consumo próprio. Personal trainer, ele afirmou em juízo que faz uso de hormônios mediante prescrição médica e que encomendou os produtos após se mudar para o Rio de Janeiro.
“A quantidade, embora expressiva, justifica-se pelo fato de ele ter se mudado para outro estado e não possuir fornecedores locais”, escreveu. “Não há nos autos (celular, testemunhas ou antecedentes) qualquer indício de que revendesse as substâncias”, completou.
Segundo a juíza, como não foram encontrados indícios de comercialização das substâncias pelo comprador, a acusação de tráfico foi desclassificada para porte para consumo pessoal. Como os fatos ocorreram em 2015, ela reconheceu a prescrição do caso e declarou extinta a punibilidade do réu.
Datar
A Operação foi deflagrada no dia 14 de agosto de 2025 nos municípios de Cuiabá e Primavera do Leste, além dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Ao todo, foram cumpridas 67 ordens judiciais, incluindo sete mandados de prisão preventiva, 11 medidas cautelares diversas da prisão, 14 mandados de busca e apreensão domiciliar, 19 ordens de bloqueio de contas bancárias e o sequestro de 16 veículos automotores.
A investigação da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) revelou que o grupo também era composto por pessoas de outros estados. O principal alvo da operação foi o DJ Diego Datto, que já havia sido preso em uma investigação anterior da delegacia.
As investigações apontam que os integrantes do grupo criminoso movimentaram valores superiores a R$ 185 milhões relacionados à atividade do tráfico de drogas.
Durante as investigações, foi constatado que diversos alvos da operação, incluindo familiares, movimentavam quantias expressivas por meio de contas próprias, sem qualquer lastro documental ou origem lícita comprovada.
Segundo a Polícia Civil, parte dos recursos era fracionada em pequenas quantias e transferida entre contas de pessoas físicas e jurídicas com o objetivo de ocultar e dissimular a verdadeira origem do dinheiro.
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