Polícia
Vídeos mostram caminhões em suposto desvio de cestas básicas em Barra do Garças
Conteúdo/ODOC – Imagens reunidas pela Polícia Civil mostram caminhões transportando cargas de cestas básicas que, segundo a investigação, deveriam ter sido destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade, mas acabaram desviadas para imóveis particulares em Barra do Garças. Os vídeos fazem parte das provas que embasaram a Operação Mesa Vazia, deflagrada nesta sexta-feira (3), e que tem entre os alvos um diretor de autarquia municipal, um assessor e cinco vereadores.
São investigados o diretor institucional da Agência de Regulação e Fiscalização (Agirf), Benier Marcos Silva, o assessor da autarquia Renato de Souza Soares, conhecido como “Renatinho”, e os vereadores Valdeí Leite Guimarães (“Pebinha”), Adilson Tavares Lopes, Allankley Lopes de Souza (“Alan Construtor”), Armando José de Brito e Elton Melo.
Benier Marcos e Renatinho também foram afastados de suas funções por 90 dias por decisão judicial. Ao todo, a Polícia Civil cumpriu 47 ordens judiciais, entre mandados de busca e apreensão, quebras de sigilos telefônico e de dados, afastamentos de agentes públicos e outras medidas cautelares.
De acordo com a investigação, os alimentos e kits de higiene eram retirados de centros oficiais de distribuição, principalmente em Cuiabá, e transportados para Barra do Garças. O material fazia parte do Programa SER Família Solidário, da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc).
Segundo a Polícia Civil, parte das cargas não chegava ao destino previsto. Em vez de ser entregue a órgãos públicos, entidades assistenciais e famílias cadastradas, os produtos eram levados para residências, chácaras, sedes de associações e outros imóveis particulares.
A estimativa é de que cerca de 13 mil cestas básicas e kits de higiene e limpeza tenham sido desviados entre 2021 e 2025. Considerando o valor aproximado de R$ 150 por unidade, o prejuízo aos cofres públicos pode alcançar R$ 1,95 milhão, além do impacto causado às famílias que dependiam da assistência.
As investigações apontam que o esquema funcionava em duas frentes. Enquanto uma parte das cargas seguia o procedimento regular de distribuição, outra era desviada para um sistema paralelo de armazenamento e redistribuição. Há suspeitas de que parte dos produtos tenha sido comercializada.
Além dos vídeos, a Polícia Civil reuniu depoimentos de motoristas, vereadores, representantes de associações e outras testemunhas. Também foram analisados documentos administrativos, registros de transporte, comprovantes de transferências via Pix, conversas extraídas de aplicativos de mensagens e relatórios policiais.
A investigação ainda identificou divergências entre os documentos oficiais de entrega e a quantidade de produtos efetivamente recebida por entidades assistenciais.
Os investigados respondem, em tese, pelos crimes de peculato-desvio, associação criminosa, falsidade ideológica e uso de documento falso.
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