Judiciario
Justiça condena delegado, investigador e empresários por corrupção
A Justiça condenou, nesta quinta-feira (16), o delegado da Polícia Civil Geordan Antunes Fontenelle Rodrigues, o investigador Marcos Paulo Angeli e os empresários Sidney Carlos de Paula e Romildo Queiroz de Souza por crimes de corrupção relacionados à atuação da Delegacia de Polícia de Peixoto de Azevedo (674 km de Cuiabá).
A sentença foi proferida pelo juiz Guilherme Leite Roriz, da 1ª Vara da Comarca de Peixoto de Azevedo.
O delegado Geordan Antunes Fontenelle Rodrigues foi condenado a 10 anos e 6 meses de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 210 dias-multa. Marcos Paulo Angeli recebeu a mesma pena: 10 anos e 6 meses de reclusão, em regime fechado, e 210 dias-multa.
Já os empresários Romildo Queiroz de Souza e Sidney Carlos de Paula foram condenados por corrupção ativa a 2 anos e 8 meses de reclusão e ao pagamento de 30 dias-multa, cada um.
Na sentença, o magistrado também decretou a perda dos cargos públicos de Geordan Antunes Fontenelle e de Marcos Paulo Angeli. A determinação, contudo, somente será efetivada após o trânsito em julgado da condenação. Os condenados também poderão recorrer em liberdade.
De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPE), as investigações tiveram origem em apurações conduzidas pela Corregedoria da Polícia Civil, que revelaram um suposto esquema de cobrança e recebimento de vantagens indevidas para a liberação de bens apreendidos e a concessão de benefícios a pessoas presas.
Montagem/MidiaNews

O investigador Marcos Paulo Angeli, que foi condenado pela Justiça
Segundo a sentença, diálogos obtidos por meio de captação ambiental autorizada judicialmente demonstraram que os dois policiais discutiram a divisão dos valores recebidos, utilizando, inclusive, a expressão “fifty-fifty” para indicar a repartição igualitária da quantia.
Além disso, a Justiça reconheceu a prática de dois crimes de corrupção passiva relacionados a pessoas presas na delegacia em novembro de 2023.
Conforme a decisão, Geordan e Marcos Paulo solicitaram R$ 10 mil para que um empresário, preso em flagrante durante a Operação Hermes II, permanecesse em um alojamento com ar-condicionado, em vez de ser encaminhado à cela comum.
Os dois também foram condenados por solicitar vantagem indevida de R$ 9 mil para colocar em liberdade um homem preso por embriaguez ao volante, após o pagamento da fiança legal de R$ 1 mil.
Segundo a decisão, as conversas registradas durante a investigação mostram que os acusados fixaram o valor total em R$ 10 mil, descontaram a fiança oficial e dividiram entre si os R$ 9 mil restantes.
Segundo o juiz, as condutas praticadas demonstraram incompatibilidade absoluta com o exercício da função pública, especialmente por terem ocorrido dentro da própria delegacia e envolverem a comercialização de atos de ofício e de benefícios concedidos a pessoas custodiadas.
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