Judiciario
Advogado e ex-policial civil são condenados por BOs falsos para encobrir desvio de carga
Conteúdo/ODOC – A Justiça de Goiás condenou o advogado Antônio Henrique de Carvalho Neto e a ex-investigadora da Polícia Civil Wanessa Sousa Oliveira Pedroni por integrarem uma organização criminosa especializada no desvio de cargas e na fraude de seguradoras. As penas impostas aos dois somam 35 anos de prisão.
A sentença foi assinada pelo juiz Alessandro Pacheco, da 2ª Vara Criminal de Goiás, no dia 25 de maio, no âmbito da Operação Extravio, deflagrada para desarticular um grupo que atuava em diversos estados brasileiros, incluindo Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo.
Segundo as investigações, a quadrilha desviou um carregamento de lubrificantes avaliado em cerca de R$ 1 milhão. Após a carga desaparecer, os envolvidos teriam criado uma falsa narrativa de assalto para justificar o sumiço da mercadoria e viabilizar o recebimento de indenização securitária.
As apurações apontaram que o caminhão não foi alvo de roubo, como informado às autoridades. Na verdade, a carga teria sido desviada para Minas Gerais, enquanto um boletim de ocorrência fraudulento foi registrado em Cuiabá para sustentar a versão do crime.
De acordo com a decisão judicial, Wanessa utilizou sua função pública para inserir informações falsas em registros policiais. Em contrapartida, teria recebido pagamentos para validar a história apresentada pelos integrantes da organização. Já Antônio Henrique foi apontado como participante do esquema que dava aparência de legalidade à fraude.
A investigação revelou que o grupo possuía uma estrutura organizada para executar os crimes. Os integrantes selecionavam cargas de elevado valor comercial, recrutavam motoristas e monitoravam todo o trajeto até o momento do desvio. Para evitar rastreamento, os criminosos removiam equipamentos de monitoramento dos caminhões e utilizavam veículos de apoio com placas adulteradas.
Além da simulação de roubos, a organização também empregava documentos fiscais falsificados e registros fraudulentos para dificultar a descoberta do paradeiro das mercadorias e ampliar os prejuízos às transportadoras e seguradoras.
Na sentença, Wanessa foi condenada a 16 anos de prisão em regime inicial fechado. Embora tenha perdido o cargo público e ficado proibida de exercer função pública por oito anos após o cumprimento da pena, ela poderá recorrer em liberdade.
Antônio Henrique recebeu pena de 19 anos de reclusão em regime fechado, também com direito de recorrer fora da prisão. O advogado já se encontrava suspenso de suas atividades profissionais perante a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Outros integrantes da organização também foram condenados. Entre eles está Frederico Garcia Mesquita, apontado como um dos líderes do grupo, que recebeu pena superior a 34 anos de prisão. Hélio Alves Ferreira Neto foi condenado a 26 anos de reclusão, além de outros envolvidos que receberam penas que variam entre sete e 13 anos.
O histórico criminal de Antônio Henrique também foi citado durante o processo. Em Mato Grosso, ele já havia sido condenado anteriormente por participação em crimes patrimoniais, roubos de veículos e tráfico de drogas, conforme acusações apresentadas pelo Ministério Público Estadual.
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